Festival independente El Mapa de Todos procura integração musical na América do Sul

SÃO PAULO, por Paula Carvalho ¿ Indie rock peruano. Fusão de rock e tango. Pop chileno. E no meio disso tudo, Marcelo Camelo, ex-vocalista do Los Hermanos. Abrem-se as portas para um intercâmbio musical na América do Sul: o festival independente El Mapa de Todos - música, cultura digital e integração, que acontecerá em Brasília.

Agência Ansa |

Marcelo Camelo é um dos brasileiros
escalados para o festival / Divulgação

O evento irá reunir artistas de nove países: Babasonicos e La Quimera del Tango (Argentina), Turbopotamos (Peru), Javiera Mena (Chile), Sr. Chinarro (Espanha), Azevedo Silva (Portugal), Los Mentas (Venezuela), Danteinferno (Uruguai) e Superlítio (Colômbia). Representando o rock verde-amarelo, estão Marcelo Camelo, Mundo Livre S/A, Macaco Bong e Beto Só.

Reflexo cultural de um Brasil que começa a reparar em seus vizinhos mais próximos, o festival propõe o fim das fronteiras criadas pelos nossos ouvidos, pouco acostumados a escutar o espanhol cantado.

"O objetivo do evento é materializar a idéia crescente na sociedade, vista em várias outras áreas, de um processo de integração inédito na América do Sul. Pela primeira vez, os países da região começam a se olhar de maneira mais ampla", explica Fernando Rosa, editor do Portal Senhor F, um dos organizadores da primeira edição do festival que acontece entre 27 e 30 novembro.

Para Rosa, El Mapa de Todos traduz musicalmente o crescente sentimento de integração regional que tomou conta da América do Sul, que pode ser exemplificado com a criação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) neste ano e outros eventos culturais promovidos pelo Mercosul.

Integração de ritmos

Os artistas convidados pelo festival passam longe da cartilha de Shakira e Ricky Martin, cujo estilo musical Rosa apelidou de "padrão Miami" ¿ "um produto cultural industrial fabricado em Miami e exportado para o resto do mundo". "Convidamos artistas que produzem um conteúdo diferenciado, que têm uma relevância cultural e estética diante da produção interna de cada país", afirma.

O fio condutor de El Mapa de Todos é o rock. Mas não se deixe enganar, as fronteiras musicais estão cada vez mais fluidas. "Nossa origem é o rock independente, mas os artistas estão mais abertos. Por exemplo, La Quimera del Tango é formada por artistas jovens egressos do rock que fazem tango. O Superlítio, da Colômbia, é influenciado por ritmos caribenhos", aponta Rosa.

As futuras edições do festival, que também recebeu o apoio do Espaço Brasil Telecom e do selo argentino Scatter Records, irão procurar incorporar a música da América Central e do México, ampliando cada vez mais o conceito de integração regional.

Internet

Nesse panorama, a internet entra como peça fundamental, ao mudar completamente a conformação da indústria fonográfica.

"A internet é uma facilitadora da integração musical. O padrão fica mais horizontal, a comunicação entre público-artista e artista-artista se dá de forma mais direta. É o pólo aglutinador materializado no terreno da música independente", considera Rosa.

No festival, estão programados para acontecer debates sobre o posicionamento do artista diante das novas mídias, do relacionamento com o público e de mudanças no processo criativo, entre outras atividades.

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