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Festival de Veneza: Filme russo fala sobre grande ilusão stalinista

VENEZA, por Antonella Barina ¿ Um soldado queria fazer fogo, mas era de papel e acabou se queimando. No verso de uma canção está a chave de Bumazhny Soldat (Soldado de Papel), parábola trágica da grande ilusão stalinista soviética dirigida pelo russo Aleksei German Jr. e em concurso na seção Horizontes da 65ª Mostra Internacional de Cinema de Veneza.

Agência Ansa |

O filme é um conto às avessas sobre a vida do médico Dania (Merab Ninidze), atormentado pelo conflito de ter de preparar os cosmonautas da base espacial soviética no Cazaquistão, uma missão de sacrifício em nome da nação.

O fogo é o elemento condutor do filme: da morte de um jovem cosmonauta queimado na câmara hiperbárica, passando pelas cascatas de fagulhas que saem das centrais elétricas nos dias de chuva, ao incêndio com o qual são destruídas as casas das mulheres dos "traidores".

A conquista do espaço - "andaremos sobre Marte, e depois sobre Júpiter, e depois sobre Ganimedes" , diz o protagonista - é também a metáfora do grande modelo revolucionário soviético, que deveria conquistar o mundo.

Mas o "povo" sentencia à meia-voz críticas impronunciáveis: "fazem os mísseis, assim depois eles caem na nossa cabeça", "os mísseis servem para levar bombas".

No deserto de areia e fogo da base cazaque, Dania irá assumir a responsabilidade de convencer um Yuri Gagarin traumatizado com a morte do colega queimado a prosseguir sua missão.

A direção é freqüentemente focada em pelo menos três planos, com ações que se desenvolvem na frente e atrás dos personagens. Os objetos também têm um papel: dos relógios que não marcam o tempo, à gaiola giratória antigravidade na qual um cosmonauta é aprisionado pelos companheiros à venda de um retrato de Stálin.

Por último, um trem que viaja sobre dois trilhos opostos, no qual Dania bate. Ele morrerá enquanto sua bicicleta continua andando sozinha, sem rumo, e ao fundo a partida do satélite Sputnik através do céu cinza: um paradoxo para aqueles que o observam de longe sem poder sair da própria realidade.

A presença constante de um dromedário, nas seqüências filmadas no Cazaquistão, representam para o diretor "um mundo antigo, que ainda não conheço, cheio de mistério". Seu próximo filme, anunciou o próprio Aleksei German Jr, "será sobre o hoje, para contar aquilo que somos hoje".

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