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Festival de Veneza consagra Líbano , de Samuel Maoz

O Festival de Veneza, que terminou no sábado, foi o mais polêmico dos últimos anos. Com a passagem apoteótica de Hugo Chávez pelo tapete vermelho, a diatribe anticapitalista de Michael Moore, a briga entre a direita que financia e a esquerda que faz os filmes (a propósito do italiano O Grande Sonho, de Michele Placido), não houve espaço para tédio no Lido.

Agência Estado |

Por ironia, a premiação foi tranquila - ou quase. Todos esperavam que o israelense "Lebanon" (Líbano), de Samuel Maoz, levasse o Leão de Ouro, como de fato aconteceu. Ninguém reclamou de injustiça quanto ao prêmio principal. Com exceção de uma jornalista libanesa que, ao final da entrevista coletiva após a premiação, acusou o filme de "propaganda pró-Israel ao ver apenas um lado da questão".

O filme, forte em sua economia narrativa, é encenado no interior de um tanque de guerra que leva quatro jovens israelenses ao território libanês. O que vemos "de fora" é através da câmera que guia o tanque e dos ruídos que chegam ao interior do veículo. Em determinado momento, um prisioneiro palestino é introduzido no tanque. Há um diálogo devastador entre ele e um membro da milícia libanesa cristã, aliada dos israelenses. A polêmica remete ao massacre de Sabra e Shatila, responsabilidade dessas milícias cristãs, e tema do badalado e também contestado "Valsa Para Bashir".

"Líbano" é mais um filme destinado à controvérsia, pois mete a colher no campo minado das posições inconciliáveis, das guerras sem solução à vista. Mais ainda porque Maoz, que com ele estreia na direção, é um ex-soldado. Combateu na primeira guerra do Líbano e agora, no cinema, procura exorcizar lembranças traumáticas. "Quis fazer o espectador experimentar a sensação de pânico que se tem numa situação como essa; revelar o real bruto da guerra, limpo dos clichês com que costuma retratá-la quem não a conhece", disse.

Já Leão de Prata, para melhor direção, ficou com a iraniana Shirin Neshat, de "Zanan Bedoone Mardan" ("Mulheres sem Homens"). A história recua aos anos 50 para mostrar que a opressão à mulher iraniana vem dos tempos do Xá, avança pela revolução islâmica de Khomeini e não conhece progressos na era Ahmadinejad. Já o Prêmio Especial do Júri ficou para um profissional, o alemão de origem turca Fatih Akim, que trouxe ao Lido seu divertido "Soul Kitchen", história de um rapaz de família grega que mantém um restaurante charmoso e precisa conservá-lo diante de muitas dificuldades. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Destaques

Leão de Ouro para melhor filme: "Líbano", de Samuel Maoz (Israel);
Leão de Prata para direção: Shirin Neshat, de "Zanan Bedoone Mardan" (Irã);
Prêmio Especial do Júri: "Soul Kitchen", de Fatih Akin (Alemanha);
Coppa Volpi para ator: Colin Firth - "A Single Man" (EUA);
Coppa Volpi para melhor atriz: Kseniya Rappoport em "La Doppia Ora";
Prêmio Marcello Mastroianni para ator ou atriz revelação: Jasmine Trinca em "Il Grande Sogno";
Osella para melhor contribuição técnica: Sylvie Olivé - cenografia de "Mr. Nobody";
Osella para roteiro: Todd Solondz - "Life During Wartime";
Leão de Ouro pela carreira: John Lasseter e os diretores da Pixar;
Jaeger-Lecoultre Glory To The Filmmaker Award: Sylvester Stallone;
Orizzonti: "Engkwentro", de Pepe Diokno (Filipinas);
Orizzonti de Documentário: "1428", de Du Haibin (China);
Menção Especial: "The Man's Woman and Other Stories", de Amit Dutta (Índia);
Prêmio Luigi de Laurentiis para opera prima (Primeiro Filme): "Engkwentro", de Pepe Diokno (Filipinas);
Filme 3-D do ano: "The Hole", de Joe DanteU.

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