Festival de Veneza começa com Tornatore

O festival de Veneza começa na quarta-feira com um dos grandes nomes do cinema italiano, Giuseppe Tornatore, que compete com Baaria ao lado de consagrados cineastas europeus e americanos.

AFP |

Pela primeira vez em duas décadas, a Mostra será inaugurada com um longa italiano, de Tornatore, que venceu o Oscar de filme estrangeiro em 1990 por "Cinema Paradiso", que nesta ocasião retorna para sua natal Sicília para narrar um drama épico com tintas autobiográficas.

"Ri e também chorei com este filme, que representa o melhor do 'made in Italy' e, tenho certeza, viajará por todo o mundo", afirmou o diretor da Mostra de Veneza, Marco Müller.

O programa da 66ª edição do Festival de Veneza, que acontecerá de 2 a 12 de setembro, inclui nas duas sessões mais importantes 48 filmes, 24 deles na competição oficial pelo Leão de Ouro e 24 na mostra Horizontes.

O Brasil tem dois representantes, ambos na mostra paralela Horizontes: "Viajo porque preciso, volto porque te amo", de Marcelo Gomes e Karim Ainouz, e "Insolação", de Daniela Thomas e Felipe Hirsch.

Na briga pelo Leão de Ouro serão exibidos quatro filmes italianos, com destaque para Il Grande Sogno" ("O Grande Sonho") do ator e diretor Michele Placido, que também aborda um tema autobiográfico, o legandário ano de 1968 e seus movimentos de protesto, além de três franceses e seis americanos.

O cinema francês estará representado por autores exigentes, entre eles o veterano Jacques Rivette, figura chave da Nouvelle Vague, de 81 anos, que liga os destinos de Jane Birkin e Sergio Castellito em "36 vues du Pic Saint Loup".

O cinema americano independente, que tradicionalmente lança seus filmes na Europa a partir de Veneza, estará presente com 17 longas, seis em competição.

"Um cinema amplo e variado", assim definiu a edição deste ano Müller, que convidou para presidir o júri o premiado e oscarizado cineasta chinês-americano Ang Lee.

Cineastas com estilos diferentes integram o programa, qualificado por Müller de "justo, o que sempre quis realizar", combinando um cinema rebuscado e original, com obras que vão desde o terror, com o mestre do gênero George Romero ("Survival of the Dead"), até a política, com o polêmico documentarista Michael Moore ("Capitalism: A love story").

"Levo ao Lido o lado obscuro do capitalismo, as mentiras e o fracasso do livre mercado", afirma Moore ("Tiros em Columbine" e "Fahrenheit 11 de Setembro"), que se recusou a exibir o filme até o momento para evitar boicotes pela denúncia contra os poderosos grupos econômicos e financeiros, responsáveis pelo colapso da economia mundial.

O alemão Werner Herzog também está na disputa pelo Leão de Ouro, com o drama policial "Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans", protagonizado por Nicolas Cage, ao lado de diretores de países como Israel, Egito e Sri Lanka, que pela primeira vez competem em Veneza.

Entre os filmes políticos que geram mais expectativa figuram "Videocracy", do ítalo-sueco Erik Gandini, uma acusação contra o poder midiático do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, e "South of the border", o documentário do americano Oliver Stone sobre o presidente venezuelano Hugo Chávez.

Para o tradicional desfile pelo tapete vermelho são esperadas estrelas do cinema como George Clooney, Matt Damon, Charlize Theron, Viggo Mortensen, Julianne Moore, Diane Krugger, Isabelle Huppert e Monica Bellucci.

O festival chegará ao fim em 12 de setembro, depois de conceder o Leão à carreira ao americano John Lasseter, diretor e fundador do estúdio Pixar, responsável por vários sucessos de público e crítida no campo da animação.

A maioria dos filmes em Veneza serão exibidos em estreia mundial, como o primeiro longa do estilista da Gucci, Tom Ford, que compete com "A single man", com Julianna Moore, uma história de homossexualidade centrada em um professor britânico que perde o companheiro depois de 16 anos de união.

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