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Festival de Veneza começa com mais filmes italianos e menos made in USA

VENEZA, por Antonio Lafuente ¿ O Festival de Veneza começou hoje com a exibição de Queime Depois de Ler, dos irmãos Joel e Ethan Coen, provocando gargalhadas no público com esta paródia do cinema de espionagem.

Redação com EFE |

Apesar de o filme de abertura ser americano, a edição deste ano da mostra será um pouco menos "made in USA" e um pouco mais italiana do que nos últimos dois anos.

Procedentes dos Estados Unidos, estarão em Veneza os galãs George Clooney e Brad Pitt, além do ator Mickey Rourke, da musa Kim Basinger, da discreta Marisa Tomei e da atriz Anne Hathaway. A presença de Hollywood está mais discreta se comparada com a participação do ano passado (Jude Law, Richard Gere, Owen Wilson, Bill Murray, Susan Sarandon, Cate Blanchett, Julianne Moore e até Woody Allen).

Neste ano, haverá dez filmes americanos no Festival, frente aos 14 do ano passado e aos 15 de 2006. Também haverá menos filmes americanos em competição este ano, já que apenas cinco concorrerão ao Leão de Ouro, bem menos que os nove de um ano atrás. Entre eles, estão "The Wrestler", de Darren Aronofsky, e "Rachel getting married", de Jonathan Demme. O Leão de Ouro, no entanto, sempre fugiu das mãos de Hollywood, pois tradicionalmente é concedido a filmes não tão comerciais quanto os dos EUA.

A redução da participação do cinema americano foi compensada em parte com o aumento de filmes italianos no concurso, com quatro produções (sem contar co-produções), frente a apenas duas no ano passado. Essa defasagem foi compensada com a entrada do cinema francês, que este ano tem três produções inteiramente francesas ¿ frente a apenas uma em 2007 ¿ e com o aumento do japonês, que conta com quatro filmes, contra um no ano passado.

As razões desse retrocesso dos filmes americanos perante outras indústrias são várias, e não necessariamente ligadas ao aspecto cinematográfico. Por um lado, a saída de Walter Veltroni da Prefeitura da capital italiana deixou um pouco desamparado o Festival de Cinema de Roma, que durante os dois últimos anos temeu-se que pudesse concorrer com Veneza.

Por causa dos fracos resultados do Festival de Cinema de Roma e como este evento não é uma das prioridades do novo prefeito da cidade, Gianni Alemanno, nada ameaça o reinado de Veneza como sede indiscutível do certame da sétima arte na Itália.

Se Roma não pode concorrer no plano internacional, a capital italiana tentará no nacional, segundo Alemanno, que disse esperar que o festival da cidade tenha este ano "menos glamour de Hollywood e mais produções locais".

Apesar de ter sofrido com o fascismo durante os anos 1930, Veneza parece ter se contagiado com o chauvinismo que a Itália vive há bastante tempo, já que, segundo especialistas, o crescimento da presença do cinema italiano no Festival não se justifica por uma melhoria da indústria nacional.

Assim, seus quatro filmes no concurso são assinados por diretores com um discreto reconhecimento internacional, como Pupi Avanti, Ferzan Özpetek e Marco Bechis, diretor de "Garage Olimpo" (1999), e conhecidos apenas na Itália, como é o caso de Pappi Corsicato.

A queda da participação de Hollywood também se deve ao fato de que o ano passado foi especial para o Festival, pois completou 75 anos, o que levou seus organizadores a criticarem o festival, enquanto este ano estão mais comedidos.

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