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Festival de Veneza: Profissão: Repórter com tempero argelino

VENEZA, por Massimo Sebastiani ¿ O filme Gabbla, do diretor franco-argelino Tariq Teguia, apresentado nesta quinta-feira como concorrente ao Leão de Ouro na 65ª Mostra Internacional de Cinema de Veneza, demonstrou ser um Profissão: Repórter (1975), filme clássico do diretor Michelangelo Antonioni, com tempero argelino, por seus longos momentos de silêncio, pela câmera parada e também pelos esplêndidos enquadramentos do deserto em todas as suas variantes.

Agência Ansa |

Enquanto no Festival continua sendo discutida a qualidade dos filmes em concurso, "Gabbla" confirma e reforça a impressão mais difundida: a falta de filmes e estrelas norte-americanas e a escolha de Veneza em apontar decididamente para os filmes autorais.

Seu protagonista é um topógrafo, Malek (e a escolha da profissão já possui um forte valor simbólico), encarregado de instalar uma nova linha de transmissão elétrica entre o interior e a capital do país, Argel.

Como para o jornalista interpretado por Jack Nicholson em "Profissão: Repórter", também para Malek o emprego se transforma em uma "viagem" tanto na paisagem pós-bélica da Argélia marcada pelo fundamentalismo quanto dentro de si próprio.

O protagonista se encontra com pastores, participa de uma festa, é parado pela polícia que lhe pede documentos e autorizações, é desprezado por uma pequena multidão que protesta pela rua, até se encontrar com sua Maria Schneider, a belíssima Inês Rose Djaku, uma africana em fuga em direção à Europa, e que se recusa em dizer seu nome.

O trabalho de Malek neste ponto se torna aquele de acompanhar e proteger a mulher, mas quando ela abandonar a idéia de ir para a Europa, os dois, após uma noite de amor em pleno deserto, decidem fugir juntos.

Justamente como em "Profissão: Repórter", o tema em "Gabbla" é a fuga, a busca pelo caminho de saída em meio à realidade enlouquecida e aparentemente insensata de uma guerra dispersa e difusa da qual é difícil encontrar as razões e os lados.

A mulher sonha antes de entender que seu lugar é ficar na África, enquanto o homem, envolvido com amigos intelectuais em discussões sobre a revolução e a mudança possível, é mais confuso e desencantado. Também para eles, a nova vida inicia com o amor.

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