Festival de Toronto inaugurado com filme sobre a Primeira Guerra Mundial

A 33ª edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto foi inaugurada na noite de quinta-feira com a presença de inúmeras estrelas hollywoodianas e a estréia de Passchendaele, do ator e cineasta canadense Paul Gross.

AFP |

Na festa de abertura do evento no Roy Thomson Hall de Toronto estiveram presentes, entre outros, o cineasta britânico Guy Ritchie, o israelense Amos Gitai e os astros Brad Pitt, Gael García Bernal, Adrien Brody, Benicio Del Toro, Peter O'Toole e Emmanuelle Béart.

Os irmãos Joel e Ethan Coen e George Clooney também fazem parte da lista de convidados este ano.

O brasileiro "Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas, que venceu no Festival de Cannes o prêmio de melhor atriz para Sandra Coverloni, também vai marcar presença em Toronto, na mostra Cinema Mundial Contemporâneo.

O filme de Gross, um drama épico centrado nos canadenses que lutaram na batalha de Passchendaele durante a Primeira Guerra Mundial, foi apresentado à imprensa antes da abertura oficial do concurso.

"Acho que meu avô ficaria orgulhoso", disse o diretor do filme, mais conhecido por sua atuação no seriado de TV "Rumo ao Sul" (Due South), uma co-produção canadense-americana.

O filme, bem recebido pela imprensa, é protagonizado pelo próprio Gross, cujo avô era um dos combatentes do episódio em questão, "Passchendaele" narra a história de Michael Dunne, um jovem que volta para casa traumatizado por sua experiência nas trincheiras européias.

Em sua província natal de Alberta inicia uma relação amorosa com uma enfermeira que é filha de um militar morto na batalha de Vimy, em 1915, na França, durante um conflito que matou mais de 75.000 canadenses que lutavam junto às tropas britânicas.

Mais tarde, Dunne resolve voltar para a frente de batalha e participa no triunfo militar de Passchendaele, em novembro de 1917, na localidade de Ypres, sudoeste de Bélgica.

O Festival de Toronto apresentará 312 filmes de 64 países, dos quais 116 são estréias mundiais.

Ao contrário de Cannes ou Veneza, o Festival de Toronto, que seguírá até 13 de setembro, não possui um concurso oficial com júri: seu prêmio principal é concedido pelo público.

Segundo a programação deste ano, Toronto dará mais ênfase ao bom humor, num contraste com os temas das edições anteriores, focados em Iraque, terrorismo e política norte-americana.

"Curiosamente, destacamos uma transição em relação ao Iraque e observamos no cinema norte-americano uma espécie de redescoberta da comédia", explicou à AFP Piers Handling, diretor de um dos mais importantes festivais do mundo.

Toronto recebeu nos últimos três anos um grande número de longas-metragens e documentários sobre a guerra no Iraque, sobre os conflitos do passado e atuais na África ou sobre o governo Bush, o que deu a esse evento anual uma forte conotação política.

"Poderíamos dizer que vivemos em um período turbulento com guerras, dificuldades econômicas, mas os diretores compreendem que o público às vezes precisa respirar", considerou Cameron Bailey, programador do festival.

"O meio ambiente se impõe como o principal tema de várias obras", ressaltou. Quase uma dezena de ficções e documentários abordam os assuntos ecologia e saúde, como "Food, inc" do norte-americano Robert Keller, sobre as estratégias das grandes corporações para controlar nossa alimentação.

"Miracle at St-Anna", sobre um soldado negro durante a Segunda Guerra Mundial, de Spike Lee; "Three Wise Men" do finlandês Mika Kaurismäki; "The Wrestler" do jovem prodígio Darren Aronofsky; "Restless" de Amos Kollek, e "Rachel getting Married" de Jonathan Demme, estão entre os títulos mais esperados.

O evento de Toronto também oferecerá uma prévia de dois filmes ainda em montagem: "New York, I love you", uma série de histórias de amor na "Grande Maçã" dirigidas por Fatih Akin, Natalie Portman, Scarlett Johansson e Yvan Attal, e "Mesrine/L'ennemi public no. 1", um 'thriller' biográfico do gangster francês Jacques Mesrine, vivido por Vincent Cassel.

gl/cn/fp

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