Festival de Roma homenageará o renascimento do cinema brasileiro

O Festival Internacional de Cinema de Roma fará, em outubro, uma homenagem ao renascimento do cinema brasileiro, com a exibição de mais de 20 filmes e documentários realizados nos últimos três anos no Brasil.

AFP |

"O cinema do Brasil voltou a ficar sob a luz dos refletores internacionais como não acontecia desde a época do Cinema Novo, nos anos 50 e 60", declarou nesta quinta-feira, em Roma, Gaia Morrione, que participa da organização do festival romano, ao apresentar o programa da mostra "Olho sobre o mundo", dedicada ao Brasil.

Entre as 21 produções selecionadas, dez são longa-metragens e onze são documentários, como os premiados "Estômago", de Marcos Jorge, e "Cidade dos homens", de Paulo Morelli.

A terceira edição do festival, que acontecerá entre os dias 22 e 31 de outubro, será aberta por uma festa brasileira na Piaza Navona, em frente à elegante sede da embaixada do Brasil na capital italiana. Haverá um espetáculo musical inspirado no carnaval do nordeste brasileiro, dirigido por Arto Lindsay com cenografia de Ernesto Neto.

"O Brasil é o paradigma da sociedade contemporânea globalizada e multirracial", estimou Morrione, que convidou para o festival o cineasta Nelson Pereira dos Santos, um dos pais do Cinema Novo.

"Pedi ao meu amigo Nelson que, como fundador do movimento, explicasse ao público romano os laços entre este cinema e o cinema de agora", contou o novo diretor do festival, Gian Luigi Rondi, veterano e respeitado crítico de cinema da Itália.

A seleção inclui filmes autorais, comerciais e vários documentários, como os dedicados ao arquiteto Oscar Niemeyer, de Fabiano Maciel, e a Maria Bethânia, de Andrucha Waddington.

As produções escolhidas abordam diferentes aspectos da cultura brasileira, desde a consciência social até as preocupações autorais e estéticas.

O cineasta e produtor João Moreira Salles, irmão de Walter Salles - "artista poliédrico", como classificou Morrione -, recebeu especial atenção, por representar, segundo a diretora, o ressurgimento cinematográfico de um país emblemático da diversidade cultural, geográfica e histórica.

Os convidados, entre eles a atriz Fernanda Montenegro e o músico Caetano Veloso, darão palestras sobre a identidade de um país complexo, violento e, ao mesmo tempo, espiritual, rico e pobre, urbano e rural.

"Para nós é uma grande oportunidade, que será arrematada por um acordo de co-produção entre Itália e Brasil", declarou à AFP o embaixador do Brasil na Itália, Adhemar Bahadian.

A indústria cinematográfica brasileira, que conta com patrocínio do Estado, realiza uma média de 60 filmes por ano.

kv/ap

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