Festival de Montreal começa com recorde de longas e filmes brasileiros na programação

TORONTO ¿ O 33º Festival Mundial de Cinema de Montreal começa hoje, com produções do Brasil e de mais 77 países e o número recorde de 249 longas e 208 curtas em sua programação.

Redação com EFE |

Em anos anteriores, Montreal deu especial atenção ao cinema latino. Desta vez, não será diferente, e o Brasil marca sua presença no evento com "Garapa", de José Padilha ("Tropa de Elite"), e "Versificando", de Pedro Caldas, selecionados para a seção Documentários do Mundo, assim como "Utopia e barbárie", novo longa de Silvio Tendler. Na seção Foco Cinema Mundial, será projetado "Entre Lençóis", do colombiano Gustavo Rieto Roa e que tem Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira no elenco.

A diretora Suzana Amaral ("A Hora da Estrela") foi a única brasileira selecionada para a seção "Masters", só com trabalhos de cineastas consagrados. Aos 77 anos, Suzana participa com "Hotel Atlântico", baseado no romance de João Gilberto Noll, que tem Júlio Andrade, João Miguel e Mariana Ximenes no elenco. A mostra "Masters" também reúne filmes de Claire Denis, Lars Von Trier, Michael Haneke e Alain Resnais, entre outros.

Divulgação

Júlio Andrade e Mariana Ximenes em cena do brasileiro "Hotel Atlântico"

De modo geral, a atual edição da mostra, que termina em 7 de setembro, está sendo considerada como a do renascimento do festival, que nos últimos anos enfrentou várias turbulências e quase foi cancelado.

A situação do evento se agravou com o sucesso do Festival Internacional de Cinema de Toronto, que tinha quase as mesmas datas e fez muitos se perguntarem se o Canadá teria como abrigar duas mostras de cinema com características semelhantes e aspirações internacionais.

Neste ano, porém, todos os questionamentos foram deixados de lado. O fundador e presidente do Festival de Montreal, Serge Losique, fez as pazes com o Governo federal e Ottawa investiu US$ 410 mil no evento. A ajuda tinha sido retirada em 2004, por divergências com os diretores da mostra. Os desentendimentos acabaram provocando um racha na organização, o que quase provocou o fim do festival.

Para a atual edição, mais US$ 644 mil foram aplicados no evento por entidades e organizações de Quebec. Além disso, a mostra se concentrou mais do que nunca na busca por novos talentos mundiais, o que a afasta do caminho escolhido por Toronto, mais interessado em nomes consagrados e em filmes de alto orçamento.

Numa carta aberta, Losique disse que a "oferta de filmes nas salas mudou consideravelmente nos últimos anos", o que fez as telas de cinema serem "dominadas pelas grandes produções de Hollywood".

"Sem o Festival Mundial de Cinema de Montreal e suas 400 obras, o panorama cinematográfico de Montreal seria bem mais reduzido", acrescentou o presidente do evento.

A organização resumiu sua filosofia ao afirmar que, "graças aos novos recursos digitais, surgiu uma nova geração, pronta para enfrentar os produtores estabelecidos".

"A tecnologia digital agora permite uma nova flexibilidade, uma nova forma espontânea de fazer filmes que revolucionou a nova geração de filmes", acrescentaram os organizadores da mostra num comunicado.

Losique também disse que a programação deste ano está de novo marcada pela diversidade cultural, pelo cinema de autor, por uma cinematografia inovadora e pelo talento. "O sucesso e o renome do Festival Mundial de Cinema está firmemente baseado nestes princípios", frisou.

Paralelamente, o festival reduziu os preços dos ingressos para US$ 10 dólares, o que deverá aumentar o público do festival. Além disso, o evento continua reservando uma parte generosa de sua grade aos produtores canadenses, de modo geral, e aos de Quebéc, em particular. Prova disso é que o festival será aberto quebequenses hoje à noite o longa "1981", de Ricardo Trogi.

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