Festival de cinema do Amazonas, entre ambientalismo e paradoxo

Mateo Sancho Cardiel Manaus, 10 nov (EFE).- Conjugar a mensagem de compromisso com a ecologia e o luxo que acompanha ao Festival do Amazonas abre muitas dúvidas sobre a coerência do prêmio, algo sobre o que seu co-fundador Lionel Chouchan afirmou: Não pretendo regular o problema, só divulgar uma mensagem.

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Em sua quinta edição, este festival decidiu ampliar seu nome com um subtítulo que reza "Aventura, natureza e meio ambiente" mas, em um encontro com a imprensa em Manaus (noroeste do Brasil), Chouchan recebeu mais críticas que elogios por parte dos jornalistas.

Enquanto o documentário "Recipes for disaster" descrevia o efeito contaminante do tráfego aéreo, o festival colabora com a companhia aérea TAM para levar seus convidados até Manaus, onde uma frota de carros os leva do Teatro Amazonas ao hotel em que estão hospedados, um resort de cinco estrelas onde o ar condicionado reduz a temperatura a 20ºC.

Chouchan, publicitário e escritor francês que fundou em 2004 o certame junto com o Governo do Estado do Amazonas e com o patrocínio de Coca-Cola, entende tudo isto como efeitos colaterais que tenta atenuar: "No ano passado plantamos 12 mil árvores para compensar este impacto ambiental do que somos conscientes".

"Achamos, além disso, no poder da imagem, do cinema para transmitir as idéias, como demonstrou a conscientização que suscitou o documentário de Al Gore 'Uma Verdade Inconveniente' (2006)", argumentou.

Este filme conseguiu, graças a seu impacto visual, uma mudança na atitude de seus espectadores, assinalou.

Chouchan também lembrou o caso de "Dias de Glória" (2006), de Rachid Bouchareb, que provocou, com seu impacto popular, que o Estado francês descongelasse as pensões dos 80 mil veteranos e sobreviventes da Segunda Guerra Mundial que lutaram pela França mesmo sendo de outras nacionalidades.

"Já não podemos crer nos políticos, nos cientistas nem na imprensa. Nos resta o cinema. Nosso planeta está vivendo uma aventura trágica e causa um maior impacto ver em pessoa uma de suas regiões mais vulneráveis que entendê-lo através de um filme em Paris, Tóquio ou Londres", prosseguiu.

E isso justifica, segundo ele, uma postura menos purista. "Meu filho tem um pequeno pássaro tropical de cores em casa sim, mas isso não me desacredita para tratar de me envolver em uma missão ecologista", reconheceu.

Couchan confia, assim, que atraindo o público a um dos paraísos naturais mais impressionantes da Terra, incita-o a tentar salvá-lo e, também, conscientiza os habitantes da cidade que acolhe o festival.

Mas, além disso, espera "conseguir que diretores elejam esta região como set de filmagem e atrair um turismo que ajude os cidadãos de Manaus a conseguir uma melhor situação econômica", resumiu.

Por último, avaliou o êxito do festival: "A cada ano conseguimos mais gente, filmes melhores e de mais países e personalidades importantes do mundo do cinema", tentando que estejam relacionadas a esta luta, como foram anteriormente Norman Jewison e Roland Joffe.

EFE msc/jp

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