Festival de Cinema de Roma encerra uma terceira edição apagada

Roma, 31 out (EFE).- O Festival de Cinema de Roma premiou hoje com o troféu Marco Aurélio de Ouro os filmes Opium War, do afegão Siddiq Barma e Resolution 819, do italiano Giacomo Battiato, encerrando assim uma terceira edição pagada e controversa sobre o comparecimento do público.

EFE |

"Opium War" (Guerra do Ópio, em inglês), uma co-produção afegã, japonesa, sul-coreana e francesa, levou o prêmio de melhor filme pelo júri do Festival.

Surpreendeu a vitória deste filme, que narra a história da sobrevivência de dois soldados americanos cujo helicóptero se perde no interior do Afeganistão, segundo a imprensa italiana, que esperavam a premiação de algum longa-metragem nacional.

Este reconhecimento acabou dado a "Resolution 819", vencedor do Marco Aurelio de Ouro de melhor filme pelo público de Roma.

O prêmio à melhor atriz foi também para uma italiana, Donatella Finocchiaro, por sua interpretação no longa-metragem "Galantuomini" de Edoardo Winspeare; enquanto o de melhor ator foi para Bohdan Stupka por seu papel na produção polonesa-ucraniana "Serce na dloni" (With a Warm Heat) de Krzysztof Zanussi.

Os prêmios se completaram com a entrega, hoje, do Marco Aurelio de Ouro pelo conjunto da obra da atriz italiana Gina Lollobrigida, prêmio também concedido no início do Festival ao ator Al Pacino, americano descendente de italianos.

Além de receber o prêmio, a atriz, de 81 anos, apresentou hoje o documentário "Gina Lollobrigida-Um simbolo italiano nel limpo", dirigido e montado por ela própria.

A veterana atriz assegurou em entrevista coletiva que não descartava voltar a interpretar um papel se um "diretor inteligente" conseguisse convencê-la.

Com a entrega desses prêmios se encerrou um Festival de Roma apagado, que segue sem encontrar o brilho que procura há três anos entre as mostras internacionais.

Prova dessa discrição foi o pouco número de estrelas que este ano se passearam pelo tapete vermelha: Viggo Mortensen, protagonista em dois filmes, "Appaloosa" de Ed Harris e "Good" de Victor Amorim; e Colin Farrell, que encarna um policial no filme "Pride and Glory", de Gavin O'Connor.

Menos conhecida do público em geral, embora bastante popular entre os adolescentes, a atriz Kristen Stewart, protagonista do filme "Twilight" de Catherine Hardwicke, também marcou presença.

No Festival também estiveram os diretores do longa-metragem coletivo "8/eight", entre eles Wim Wenders e Gael García Bernal, que tentam conscientizar sobre os objetivos principais que a Cúpula do Milênio de 2000 da ONU propôs alcançar para 2015 e que ainda estão muito longe de conseguir.

O Festival não ofereceu muito mais, com o que ficou claro que, a três anos de seu nascimento, não faz nem sombra à Mostra de Veneza.

Este ano, além disso, Roma havia se dedicado com especial afinco ao cinema italiano, que não atravessa seu melhor momento, pois programou um número maior de filmes nacionais do que em edições anteriores.

O objetivo dessa programação era atrair mais público, mas o bom resultado dessa fórmula é controvertido.

Oficialmente, os organizadores declararam que o público foi maior que o do ano passado.

"O balanço do Festival é positivo: aumentaram os visitantes, os bilhetes emitidos e sobre todo o número dos credenciados pela indústria", afirmou Gian Luigi Rondi, presidente da mostra.

O jornal "La Repubblica" contradisse essa afirmação, porém, com uma notícia na qual recolhia vários testemunhos de pessoas que trabalham ou têm negócios no Festival e que estimam que o público caiu entre 30% e 50%.

Rondi reconheceu que "quanto ao desenvolvimento do concurso, houve problemas por uma programação que não facilitou o trabalho dos críticos e que deverá se rever posteriormente". EFE alg/jp

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