Festival de cinema de Brasília começa hoje com filme de Lula no centro da polêmica

BRASÍLIA ¿ A política e o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro são companheiros desde os primeiros anos do evento, há 42 edições. E, neste ano, a palavra companheiro ganhará um peso ainda maior. Apesar de não concorrer na mostra competitiva, a cinebiografia ¿Lula, o filho do Brasil¿, de Fábio Barreto, é considerada a atração principal do festival e será exibida na sessão de abertura, nesta terça-feira (17). E não é para menos. O filme, que será lançado nacionalmente em 1º de janeiro do ano que vem, vai dar o que falar até as próximas eleições.

Erika Klingl, iG Brasília |

Divulgação

Com estreia marcada só para janeiro, "Lula, o filho do Brasil" rouba atenção em Brasília

Criado em 1965, o Festival de Brasília é o mais antigo do país. De lá para cá, sempre foi referência de crítica e propagação da sétima arte. Idealizado por Paulo Emílio Salles Gomes, crítico de cinema, o evento, que nasceu no início da ditadura militar, sempre teve caráter contestatório, o que levou a sua proibição entre 1972 e 1974.

Ao contrário dos outros anos, no entanto, a polêmica tradicional do Festival de Brasília ¿ que se faz notar em filmes socialmente engajados, sessões polêmicas e cerimônias de premiação que valorizam obras radicais ¿ só estará presente de forma efetiva na solenidade de abertura.

Os outros filmes do festival, principalmente da mostra competitiva, passam longe de grandes provocações. Dos seis longas que concorrem ao troféu Candango, quatro são documentários. E, para deixar a polêmica ainda mais restrita, o filme de Lula só será exibido para convidados, hoje à noite no Teatro Nacional. Para se ter uma ideia, das 1400 poltronas do lugar, mais de 800 estão reservadas para integrantes do governo.

Com esses cuidados, o filme passará longe do grande público do festival, conhecido por ser o mais combativo do país. Pelos corredores do Cine Brasília, todos os anos, repete-se que se um filme passa pelo crivo da audiência candanga, é sucesso na certa. Vaias ou aplausos no meio das sessões são comuns.

O Festival de Brasília dá um frio na barriga, conta a cineasta Núbia Santana, que estreou na mostra ano passado com um documentário sobre meninos e meninas em conflito com a lei. Estou trabalhando em dois roteiros de curtas para o próximo ano. Agora, vou como expectadora porque não perco por nada o festival.

Em 2009, no entanto, será a própria organização do evento quem enfrentará um desafio. A disputa de longas-metragens, assim como no ano passado, não desperta expectativa. Entre os seis concorrentes aos principais Candangos, apenas dois são ficções o brasiliense O Homem Mau Dorme Bem, de Geraldo Moraes, e o paulistano É Proibido Fumar, de Anna Muylaert. Não vejo problemas. Vários documentários venceram o prêmio de júri popular, argumenta Fernando Adolfo, coordenador geral do festival.

Mostra competitiva



A Falta que me Faz
Direção: Marília Rocha
Documentário, cor, 35mm, 80min, MG, 2009
Durante um inverno, rodeadas pela Cordilheira do Espinhaço, quatro meninas vivem o final de sua adolescência. Um romantismo impossível as enlaça com os homens de fora. A cada sábado, eles se encontram nas festas de forró. Durante a semana, seguem-se dias de amizade, angústias e contradições da passagem para a idade adulta.

É Proibido Fumar

Direção: Anna Muylaert
Ficção, cor, 35mm, 86min, SP, 2009
Sozinha no apartamento que herdou da mãe, Baby vive entre intrigas com as irmãs e as aulas de violão que dá para meia dúzia de alunos desinteressados. O cigarro é sua melhor companhia. Quando o músico Max se muda para o apartamento vizinho, ela vê sua chance de voltar à vida.

Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano
Direção: Henrique Dantas
Documentário, cor, 35mm, 75min, BA, 2009
O filme traça um rico panorama da música popular brasileira dos anos 60 e 70, através do revolucionário e inovador grupo musical Novos Baianos. Particularmente, trata da influência de João Gilberto sobre os rumos musicais do grupo e da importância do mesmo para o aprimoramento da música tocada e composta por eles.

O Homem Mau Dorme Bem
Direção: Geraldo Moraes
Ficção, cor, 35mm, 90min, DF, 2009
Em um posto de gasolina de beira de estrada, três personagens se encontram. Rita está em busca de um amor que julgou ter encontrado um dia. Wésley quer construir sua vida e Caburé é um homem que não dorme direito há algum tempo à espera de resgatar um passado de vida e morte.

Perdão Mister Fiel
Direção: Jorge Oliveira e Pedro Zoca
Documentário, p/b, 35mm, 95min, DF, 2007/09
A morte sob tortura do operário comunista Manoel Fiel Filho, em 1976, nos porões do DOI-CODI em São Paulo, é a base do documentário que, além da impiedosa caça aos comunistas no Brasil, trata da intervenção dos Estados Unidos nos países da América do Sul durante as ditaduras militares nas décadas de 1960 a 1980.

Quebradeiras
Direção: Evaldo Mocarzel
Documentário, cor, 35mm, 71min, SP, 2009
"Quebradeiras" é um documentário que focaliza as tradições seculares, as estratégias de sobrevivência e a rica cultura das quebradeiras de coco de babaçu da região do Bico do Papagaio, onde os Estados do Maranhão, Tocantins e Pará se encontram.

Sessões especiais

Lula, o Filho do Brasil (abertura)
Direção: Fábio Barreto
Ficção, 35mm, 128min, RJ, 2009
A trajetória pessoal e profissional do presidente Lula, desde o seu nascimento, em 1945, no sertão pernambucano, até 1980, quando era o maior líder sindical do país. Uma trajetória marcada por dificuldades, perdas e uma notável capacidade de superação. Baseado no livro "Lula, O Filho do Brasil", de Denise Paraná

Brasília, a última utopia (encerramento)
35mm, 105 min, DF, 1989
O longa-metragem "Brasília, a última utopia" foi produzido por José Pereira, com o apoio do ex-governador do Distrito Federal e ex-ministro da Cultura José Aparecido de Oliveira. Seis episódios mostram diversos aspectos da paisagem humana e física do planalto central, Brasília em particular.

Assista ao trailer de "Lula, o filho do Brasil":

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