Festival Back 2 Black começa com a África em pauta e show de Gil

RIO DE JANEIRO ¿ Com a África no centro das atenções e Gilberto Gil com um repertório melaninado, o festival Back 2 Black começou nesta sexta-feira no Rio de Janeiro discutindo a história, os problemas e os desafios do continente.

EFE |

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Gilberto Gil liderou primeiro dia de shows no festival no Rio de Janeiro

Na primeira conferência dos três dias de evento, o músico e ativista irlandês Bob Geldof ¿ famoso por organizar os shows beneficentes do Live Aid (1985) e do Live 8 (2005) ¿ e o artista e poeta sul-africano Breyten Breytenbach deram seus pontos de vista, nem sempre coincidentes, sobre as complexidades inerentes à África.

Em um dos pontos em comum entre as opiniões de ambos, Breytenbach e Geldof concordaram que a África não pode ser tratada como uma peça única em detrimento da sua diversidade de países, culturas, religiões e idiomas.

"A África é uma construção complexa desde sempre. Há uma tendência de pensar a África como uma coisa só, mas quem mora, trabalha ou é de lá sabe que não é assim", diz o sul-africano.

Segundo Breytenbach, há alguns pontos em comum dentro da África, como a existência de conflitos armados, a grande quantidade de pessoas que emigram para fora do continente e o flagelo da aids, entre outros. Antes de concluir sua fala, o artista disse que é necessário perguntar "a quem a África pertence de fato, pois é o que define seu relacionamento com o resto do mundo".

Muito mais à vontade do que o contido Breytenbach, como convém a um artista de rock, Bob Geldof logo ficou de pé para expressar seus pontos de vista. Logo de cara, disse estar cansado de falar sobre os problemas da África, continente que visita há 26 anos.

Para o idealizador do Live Aid e do Live 8, muita coisa mudou de lá até aqui, e para melhor. "Os africanos estão tentando formar seus próprios países, e isso não é fácil", afirmou.

Geldof ressaltou o desrespeito às culturas africanas nos processos de colonização e disse que o Ocidente impôs à África uma política e uma economia que não funcionam no continente.

Segundo o irlandês, os africanos desenvolveram uma cultura de coletividade, na qual o indivíduo - elemento primordial das civilizações ocidentais - não sobrevive, e até por isso a África "vai se desenvolver de formas que sequer imaginamos", afirmou.

Depois de abrirem espaço a perguntas do público, Geldof, Breytenbach e Agualusa concluíram suas respectivas participações no Back 2 Black ao falarem sobre a falta de integração dentro da própria África e defenderam a criação de mecanismos que ajudem a combater esse problema.

Show "melaninado"

Na parte musical da noite, Gilberto Gil subiu ao palco em um show que, mesmo em formato acústico, animou muito o público. Acompanhado dos filhos Bem e José, o ex-ministro da Cultura lançou mão de um repertório, em suas palavras, "melaninado, pigmentado", repleto de músicas sobre a raça e a cultura negras. A cantora beninense Angélique Kidjo, que se apresenta no último dia do festival, estava presente e aproveitou para dar uma "canja".

O primeiro dia do festival Back 2 Black chegou ao fim com um show eletrizante do cantor senegalês Youssou N'Dour, um dos artistas africanos mais famosos no mundo e conhecido também por suas participações em eventos culturais em defesa da África, incluindo o Live 8, em 2005. Destaque para a participação de Marisa Monte, que subiu ao palco para um dueto em "7 Seconds", hit dos anos 90 na voz de N'Dour e Neneh Cherry. Angélique Kidjo não deixou por menos e deu mais uma amostra de seu talento, desta vez ao lado do músico do Senegal.

O evento continua neste sábado com shows de Ed Motta com a banda Black Rio em um tributo a Tim Maia e de MV Bill. O rapper também participa da conferência que abre a noite, junto com Youssou N'Dour e os cineastas Kátia Lund ("Cidade de Deus") e Gavin Hood ("X-Men Origens: Wolverine), sobre cultura e desenvolvimento.

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