Fernando Meirelles quer fazer comédia adolescente

DUBAI ¿ O cineasta Fernando Meirelles anunciou hoje em Dubai, nos Emirados Árabes, que seu próximo projeto, já com roteiro, será uma comédia sobre adolescentes, algo surpreendente vindo do diretor de filmes tão pesados quanto Cidade de Deus ou O Jardineiro Fiel.

EFE |

No Festival de Cinema de Dubai, Meirelles apresentou "Ensaio Sobre a Cegueira", co-produção entre Brasil, Canadá e Japão com a qual abriu Cannes em maio e que, protagonizada por Julianne Moore, Danny Glover, Mark Ruffalo, Gael García Bernal e Alice Braga, adapta o romance do escritor português ganhador do Nobel José Saramago.

Assim, após mostrar a violência urbana carioca no impactante "Cidade de Deus; denunciar o abuso de poder da indústria farmacêutica na África com "O Jardineiro Fiel" ¿ ambos também baseados livros, respectivamente de Paulo Lins e de John Lhe Carrè ¿, e explorar a "cegueira espiritual do mundo contemporâneo" no último, Meirelles caminha para uma mudança de gênero.

"Não há elementos que um filme, um roteiro ou uma novela deva ter para que me apeteça filmá-lo. Simplesmente me emociona ou não me emociona", disse hoje a um reduzido grupo de jornalistas.

Portanto, este novo projeto, embora não tenha nome nem equipe definidos, irá por caminhos mais frívolos e humorísticos. "Será singelo, esperançoso e divertido". Mas, isso não deixará de se preocupar por estes jovens que "não sabem que fazer com suas vidas".

Meirelles, no entanto, voltará antes a seu berço criativo, a televisão, na qual está realizando a minissérie "Som e Fúria", com Rodrigo Santoro, e que mostra uma companhia teatral que representa obras de William Shakespeare.

Nesta série ¿ que toma a idéia original do canadense "Slings and Arrows" ¿ o diretor mostra o contraste entre o que os atores vivem no palco e o que lhes acontece atrás do próprio.

"Cada vez que quero trabalhar em português e para as pessoas do meu país, prefiro rodar para televisão, porque no Brasil, por mais bem-sucedido que seja um filme, como foi 'Cidade de Deus', nunca terá tanta influência quanto uma série. Nem todo mundo pode ir ao cinema, mas quase todo mundo tem televisão", assegurou.

"Som e Fúria" estreará na televisão em 2009, enquanto "Ensaio Sobre a Cegueira" segue chegando a diferentes países, embora o cineasta, de 53 anos, não creia que venha a ser um dos filmes na corrida do Oscar, como aconteceu com seus trabalhos anteriores.

"Muita gente não gostou. Em Cannes, recebeu críticas muito boas por parte de muitos meios de comunicação, mas outros odiaram. Estou satisfeito com o filme, mas aceito que cria muito incômodo e assumo que cheguei tarde demais ao cinema para me preocupar demais em fazer dinheiro ou ganhar prêmios", alegou.

No entanto, Meirelles opinou que, apesar do retrato desta epidemia de cegueira branca ter sido vista no festival francês como algo muito fantástico, a crise econômica está aproximando da realidade cada vez mais a hipótese criada por Saramago de um mundo que vive sem entender o que passa a seu ao redor.

"Questionar a si mesmo é a maneira de chegar ao fundo do filme. Entender que, às vezes, o ser humano é estúpido e cego devido a um instinto de autoproteção", explicou.

Meirelles, que sempre aposta em um estilo visual frenético, quis, nessa ocasião, arriscar e ser "mais literário" que nunca, no sentido de "mostrar o menos possível, deixar ao público que imagine como são as coisas" e jogar assim com a sensação que um livro produz; criar mais sensações do que imagens.

Desta maneira, procura provocar também as pessoas que "passam pela vida sem ver realmente saber o que vivem, sem entender nada", que é a grande metáfora que propõem tanto Saramago quanto o filme.

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