SÃO PAULO - Sete anos depois de deixar a Presidência da República, Fernando Henrique Cardoso ainda é o responsável por dar o tom do discurso que o PSDB seguirá nas eleições. O ex-presidente lidera os ataques ao governo federal, faz publicamente críticas à candidata apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sucessão presidencial e é o maior defensor dos oito anos de sua gestão.

Ontem, em recado direto aos tucanos, Fernando Henrique reforçou que o partido não deve temer a comparação das ações de seu governo com a atual administração, destacou os investimentos que fez na área social, quando presidiu o país, e declarou que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, virtual candidata, não " inspira confiança " .

O presidente de honra do PSDB disse que na disputa eleitoral a população preocupa-se não em votar em um partido, mas sim em um candidato que sinaliza avanços futuros para o país. " O Brasil não está muito preocupado com a sigla. Ninguém nem sabe que sigla é. Precisa ver se a pessoa inspira confiança. Precisamos de gente competente, que não roube e que inspire confiança " , comentou, em São Paulo. Para FHC, na disputa presidencial será comparada a liderança que cada candidato apresenta e, na análise de FHC, a ministra Dilma é ainda um " reflexo de um líder " - o presidente Lula. " Para mim, está provado que Serra é competente, é um líder e inspira confiança. A outra, pra mim, ainda não " , disse, referindo-se a Dilma.

O ex-presidente foi o responsável pela " convocação " do partido para a disputa eleitoral deste ano, segundo análise de lideranças tucanas. Ontem, FHC foi a estrela de um evento, em São Paulo, que reuniu lideranças do PSDB, como o governador de São Paulo, José Serra, e o ex-governador Geraldo Alckmin. Em conversas com tucanos, recebeu elogios por artigo publicado no domingo, que traz críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva , já na primeira linha do texto, por " inventar inimigos e enunciar inverdades " . " Fernando Henrique retirou do armário as chuteiras. O jogo começou " , comentou o ex-ministro José Gregori. FHC foi bem recebido por principais lideranças do PSDB paulista ontem, concedeu entrevista à imprensa mas foi embora antes da chegada do governador Serra à cerimônia que marcou a inauguração da Biblioteca de São Paulo, erguida no local no qual funcionou a Casa de Detenção do Carandiru.

Apesar de dar o tom do discurso dos tucanos para a disputa presidencial, Fernando Henrique evitou falar sobre uma data para o lançamento do candidato do partido à Presidência. O ex-presidente elogiou Serra, disse ter boa relação com o governador mineiro, Aécio Neves, e comentou apenas que cabe ao PSDB saber o momento certo de lançar o nome.

Para o ex-presidente, a campanha eleitoral não deve ser focada no passado, mas sim propor avanços. " O país tem que sentir que vai pra frente e que os líderes são responsáveis, não ficam destruindo um o que o outro fez " , afirmou ontem, em uma rápida entrevista à imprensa. " Quando veio o Lula todo mundo dizia: vai mudar tudo. E não mudou nada. Seguimos adiante do que tinha lançado. Fez bem. Agora o que fez bem vai mudar por quê? Para melhorar " , disse ontem. Fernando Henrique disse considerar " picuinha " a comparação entre governos, mas não deixou de fazê-la. " Se não se fez alguma coisa é porque não se conseguiu. Então não me preocupa (a comparação). Isso é picuinha " , afirmou.

Em meio a tucanos, coube a FHC a defesa mais enfática de seu governo: o ex-presidente disse que foi sua gestão iniciou a distribuição de auxílio financeiros à população carente, como o Bolsa Escola, e que o reajuste do salário mínimo e dos aposentados foram semelhantes no governo petista e no tucano. " Não estou muito preocupado com o defender meu governo. Tenho consciência de que fiz o que pude. Acho que a história vai acabar por reconhecer que nós mudamos o Brasil. Digo nós, não digo eu. Incluo Lula nisso, porque não sou mesquinho " , comentou.

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