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Fernandes diz à CPI que ficou ofendido com Aparecido

O consultor legislativo do Senado André Eduardo Fernandes, que depôs hoje na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Cartões Corporativos, afirmou que a amizade que mantém com o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Pires não é íntima. Não é como está na imprensa.

Agência Estado |

Não somos como irmãos", declarou. Garantiu que hoje não é mais amigo de Aparecido. "Fiquei ofendido com o e-mail, mas o problema é que tenho coração de manteiga", disse à CPI.

Fernandes acusou Aparecido de intimidar o PSDB ao lhe enviar e-mail com arquivo contendo planilha de gastos do governo Fernando Henrique Cardoso. Fernandes é assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). De acordo com o relato de Fernandes à CPI, Aparecido, no e-mail, classificou como "extravagantes" os gastos detalhados, com 60 itens. "Claramente, não era uma planilha técnica", enfatizou Fernandes.

O ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil acrescentou, no e-mail, que, diante dos dados dos gastos, cabe à Administração Pública, tendo conhecimento de ilícitos, tomar providências para a apuração dos fatos. Fernandes se declarou espantado com os dados do e-mail, respondendo a Aparecido pela internet: "Muito bom trabalho. Faça isso".

O consultor do Senado disse que Aparecido já o havia intimidado em 2004, quando já estava trabalhando na Casa Civil, por ocasião da CPI do Banestado, na qual Fernandes assessorava o então senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), presidente da CPI. Contou que, procurado por Aparecido, os dois se reuniram na biblioteca do Senado. Aparecido declarou a Fernandes, conforme seu depoimento à CPI: "Somos o lado forte. No Palácio, todos sabem os nomes de vocês. O Antero está perdido. Esquece o Antero".

Segundo o consultor do Senado, com o e-mail do dossiê, se perguntou se Aparecido não o estaria usando politicamente "como peão no jogo", assim como fez em 2004, na CPI do Banestado. André Fernandes relatou que, após o encontro na biblioteca do Senado, rompeu com Aparecido, só retomando o contato com ele há cerca de dois anos, por meio de amigos comuns do tempo em que trabalharam juntos no Tribunal de Contas da União (TCU).

O consultor do Senado detalhou as circunstâncias em que recebeu o e-mail de Aparecido com os dados de gastos do governo FHC. Retornou ao gabinete de Álvaro Dias durante férias de dez dias, entre 18 e 28 de fevereiro, para pegar documentos pessoais e, aproveitando a ocasião, passou e-mail a três amigos, incluindo Aparecido, com um arquivo chamado "Cenas Brasileiras".

Voltou ao gabinete no dia seguinte, quando, então, em resposta ao seu e-mail com as "Cenas Brasileiras", recebeu mensagem do então secretário de Controle da casa Civil convidando-o para um almoço. Respondeu que telefonaria de volta a Aparecido numa quinta-feira, recebendo em seguida o e-mail com os dados do dossiê. Relatou o caso aos seus superiores e tirou cópias do arquivo com o dossiê.

Fernandes informou que conheceu José Aparecido em 1991, quando Cristóvão Buarque o levou para participar do governo paralelo do PT. Depois, segundo o consultor do Senado, os dois trabalharam juntos de 1992 a 1995 no TCU. Fernandes informou que deixou o TCU em janeiro de 1995 para trabalhar na gestão Cristovam Buarque no Governo do Distrito Federal. Contou que durante sete anos perdeu o contato com José Aparecido, que estava morando em Goiânia e só voltou a Brasília quando convidado pelo ex-ministro José Dirceu para participar de sua equipe na Casa Civil.

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