Publicidade
Publicidade - Super banner
Brasil
enhanced by Google
 

Feira do Livro de Frankfurt contrasta tradição e revolução tecnológica

Rodrigo Zuleta. Frankfurt, 15 out (EFE).- A Feira do Livro de Frankfurt abriu hoje suas portas ao público com uma mostra cheia de contrastes, desde os novos leitores de e-books (livros no formato digital) até a seção de livros antigos, onde se pode cultivar a nostalgia do papel como refúgio ante a ameaça digital.

EFE |

Para ver e sentir este contraste, não é preciso caminhar muito nem se perder entre os expositores. Basta ir ao térreo do pavilhão 4 para sentir a tensão entre toda a tradição do mundo da escrita antes e depois da imprensa e os planos em torno da revolução digital.

À direita da entrada fica a seção de livros antigos. A primeira coisa a chamar a atenção são vitrines com objetos como a versão original manuscrita de uma música do compositor austríaco Franz Schubert, de 1825, ou uma carta do poeta alemão August von Platen.

Mais para dentro é possível encontrar a jóia deste ano, a versão original de "Alemanha, um conto de inverno", de Heinrich Heine, com uma estrofe que o poeta alemão eliminou posteriormente.

Ao deixar a seção de livros antigos e caminhar poucos metros, o visitante entra em um mundo no qual já não há manuscritos nem livros impressos.

Um assessor de vendas do consórcio Sony - que segundo ele mesmo explica, nunca teve relação com o mundo do livro - apresenta o chamado Sony Reader, um aparelho que cabe na palma da mão e que pode armazenar até 160 e-books.

O Sony Reader está no mercado americano desde 2006, acaba de chegar ao Reino Unido e em breve chegará a toda a Europa.

Este leitor eletrônico - assim como os outros da nova geração - tenta simular um livro, mas quem lê sabe que tem diante de si uma tela, e, segundo a Sony, foi pensado para pessoas que gostam muito de ler, porém viajam bastante e não querem carregar peso.

Na Alemanha, o Sony Reader seria distribuído pela rede de livrarias Libri.de, que há um ano tem no mercado outro aparelho similar, o iLiad, que não transformou o livro digital em um produto de massa.

Perto dali, um especialista em inovação digital no mundo editorial, Ronald Schild, fala de leitores eletrônicos e do futuro do livro impresso. Uma pessoa pergunta a ele se este será, em breve, um objeto de museu, como cartas e máquinas de escrever.

"Acho que os dois meios conviverão. No futuro, as crianças continuarão tendo suas primeiras experiências de leitura em livros impressos. Porém, duvido que continuem levando para escola mochilas com vários quilos de livros", declarou.

Na seção de livro antigo há um livreiro da Baviera, Hans Lidner, especializado em livros para crianças.

Entre edições de contos infantis, afirma que, se os pais estimulam a leitura as crianças continuarão lendo em livros impressos.

David Löwenherz, o livreiro de Nova York que trouxe a Frankfurt a estrofe perdida de Heine, se refere ao tema digital com uma distância irônica.

"Isto importa pouco para mim. Eu só compro e vendo coisas velhas.

O máximo de exagero é que eu precise aumentar o preço", declarou Löwenherz à Agência Efe.

A conversa com ele se concentra na estrofe de Heine, que até agora era desconhecida apesar de integrar a versão original de um dos poemas mais famosos da língua alemã.

Algo assim, uma versão original de uma obra que é recuperada depois de mais de 100 anos, talvez não seja possível na nova era.

"Ainda há escritores que guardam versões preliminares de suas obras. Porém, a maioria, quando corrigem, apagam do computador a versão anterior", declarou Löwenherz.

A viagem de ida e volta do manuscrito de Heine entre a Alemanha e os Estados Unidos parece uma história de outra época. Hoje, os manuscritos viajam virtualmente através da rede.

Löwenherz não sabe exatamente como o manuscrito de Heine chegou aos EUA, mas explica que muitos documentos similares "emigraram" para a América com seus proprietários no século XIX ou antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) por razões políticas.

Os manuscritos e os livros, os objetos de coleção, tinham uma história. O pai de Löwenherz, berlinense, era um destes colecionadores - guardava, entre outras coisas, cartas de pessoas que morreram - que atravessou o Atlântico com sua coleção como se fosse parte da família.

Walter Benjamin - outro colecionador que não chegou a atravessar o Atlântico - falava da perda da aura dos objetos de arte com o advento de novas possibilidades tecnológicas. Falava da fotografia.

Talvez hoje pensasse nos livros, ameaçados inclusive de perder sua materialidade da qual emana parte de sua magia. EFE rz/wr/fal

Leia tudo sobre: iG

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG