Feira de anime busca manter ritmo de crescimento do setor no mundo

TÓQUIO ¿ A mais internacional das expressões culturais japonesas, o anime, ganhou um festival próprio nesta quarta-feira em Tóquio, com objetivo de revitalizar as sagas mais lendárias e manter o ritmo de crescimento, apesar da crise.

EFE |

Fãs e profissionais do setor se reuniram na inauguração da Feira Internacional do Anime de Tóquio, a principal vitrine mundial de tudo o que acompanha uma série de animação japonesa: videogames, acessórios e objetos de coleção.

Os pavilhões do Big Sight, um prédio futurista da ilha artificial de Odaiba, atrairão durante cinco dias japoneses transformados em seus heróis de ficção, conhecedores dos segredos de um mundo que só existe na tela: um Exército de seguidores conhecido como "otaku".

O professor Ken Rodger, da Universidade Mangá de Seika Kioto, explicou à Agência Efe que o anime e o mangá sempre foram refúgio para o japonês, uma forma de abstração de sua vida real, e, agora, com a crise, se transformam, mais que nunca, em uma alternativa.

O principal expoente do setor audiovisual japonês não se deixou assustar pela situação econômica, mas as vendas não são o que eram nos anos 90, quando "Dragon Ball" causou furor no mundo todo e impulsionou o setor acima dos 200 bilhões de ienes (US$ 2 bilhões).

As novidades deste ano, como as últimas notícias sobre "Bleach" e "Detroit Metal", não fizeram sombra na feira às reinventadas séries de sempre, como "Dragon Ball" -que apresentava novo filme-, "Astro Boy" ou "Full Metal Alchemist", que seguem sendo alvo de um culto fiel.

A indústria da animação não se ressente graças a produções que se transformam em um mito, como o trabalho do Studio Ghibli, produtora do diretor Hayao Miyazaki, cujo sucesso de bilheteria é comemorado na mostra.

É um fato que o Japão prefere a animação japonesa e que sequer Hollywood pôde, em 2008, com produções como "Gake no ue no Ponyo", de Miyazaki, o filme de maior bilheteria no ano passado no Japão.

No entanto, o mercado japonês está cada vez mais saturado e as produtoras se lançaram à conquista do resto do mundo, especialmente Ásia e Europa, onde as vendas de artigos relacionados com o anime crescem a ritmo de dois dígitos ao ano.

Tradições como o Cosplay, contração inglesa que significa "brincar com fantasias", deliciam chineses, franceses e americanos, e, nesta feira, os fãs procuram os olhares e flashes dos visitantes.

Entre as invenções apresentadas estão as recriações em 3D de séries e jogos de baralho, nos quais vence o mais bonito, estratagemas que não fazem sombra aos eternos recursos do anime: o erotismo e a violência.

Este ano, a feira reúne 255 empresas, 56 delas estrangeiras. Entre os estrangeiros, os que mais se aproximam da forte indústria japonesa são as produções coreanas, mas as que têm ganhado em apelo popular são as novas criações chinesas.

No entanto, o setor audiovisual japonês procura se projetar fora de suas fronteiras. A Namco Bandai, responsável por títulos como "Metrópolis", "Ghost in the Shell" ou "Shinchan", planeja aumentar suas vendas fora do Japão em 50% nos próximos três anos, principalmente na Europa e na China.

A crise impactou mais no Japão e provocou a queda da receita por publicidade, mas o total do setor segue próximo aos níveis dos últimos três anos, 140 bilhões de ienes (US$ 1,4 bilhão).

Além disso, a redução na pirâmide demográfica japonesa de seu principal grupo de clientes e "otaku", os jovens entre 20 e 30 anos, fez com que, na feira, os antigos títulos tenham ganhado mais força que nunca.

(Reportagem de Jairo Mejía)

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