Febraban prevê inadimplência recorde e admite recessão em 2009

SÃO PAULO (Reuters) - O agravamento do impacto da crise internacional no início do ano refletiu-se em expressiva piora das projeções macroeconômicas das instituições financeiras para o Brasil em 2009, incluindo o aumento da inadimplência e a possibilidade de recessão. Se a previsão atual se confirmar, vamos ter o nível mais alto de inadimplência em pelo menos sete anos, disse a jornalistas o economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg.

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Desde a última edição da pesquisa da entidade, em janeiro, a expectativa dos bancos para atrasos superiores a 90 dias nos pagamentos de empréstimos subiu de 4,9 para 5,4 por cento até dezembro.

A consulta feita com 33 instituições também apontou diminuição na expectativa de crescimento do PIB brasileiro, passando de 1,9 para apenas 0,3 por cento neste ano. Sardenberg, no entanto, não descarta a possibilidade de recessão.

"Há possibilidade disso acontecer. Os números da pesquisa sugerem que pode haver novas rodadas de piora", afirmou.

Consequentemente, os bancos também moderaram as previsões para expansão da carteira de crédito do sistema até dezembro, de 16,2 para 14,2 por cento.

"E esse crescimento vai se dar mais em função do estoque já existente do que por novas operações", disse.

A maior desaceleração deve se dar nos empréstimos para empresas, segmento cuja expectativa de aumento em 2009 mudou de 19,1 por cento para 15,8 por cento.

Sardenberg avaliou, contudo, que essa deterioração no cenário não deve implicar em aumento adicional dos spreads (diferença entre a taxa paga pelos bancos para captar recursos e a cobrada na concessão de empréstimos).

"Já houve uma antecipação dos bancos. Não acredito em novos aumentos, a não ser que tenha uma nova rodada de piora nas expectativas", disse o economista.

De acordo com a mediana da pesquisa, 60 por cento dos bancos acreditam que a economia deve começar a se restabelecer em 2010, com um crescimento de 3,2 por cento do PIB.

(Reportagem de Aluísio Alves; edição de Alexandre Caverni)

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