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Fazer cariedade faz bem à cabeça, ao coração e ao corpo

Fazer cariedade faz bem à cabeça, ao coração e ao corpo Por Marcela Rodrigues Silva São Paulo, 08 (AE) - Se estivesse vivo, Chico Xavier teria completado 100 anos na última sexta-feira (02), dia em que também estreou o filme de Daniel Filho que conta a trajetória do líder espírita. Entre os legados deixados por ele, uma lição que ultrapassa o aspecto religioso: a caridade.

Agência Estado |

Por compaixão, abriu mão dos direitos autorais dos mais de 400 livros que psicografou e ficou famoso pela distribuição de agasalhos e mantimentos aos mais humildes de Uberaba (Minas Gerais), onde faleceu. E, ainda que as atitudes altruístas pareçam associadas à religiosidade, é a ciência que explica porque elas proporcionam ao caridoso tanto bem-estar - inclusive físico.

Para o psicobiólogo Ricardo Monezi, pesquisador do Departamento de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a caridade atua nas esferas física, psicológica e social. "Ao fazermos o bem ao próximo, estamos fazendo a nós mesmos. Ser caridoso traz satisfação e o organismo libera serotonina, endorfina e dopamina, substâncias relacionadas ao prazer. O cortisol, hormônio que em alto nível aumenta o estresse, é reduzido. A pessoa se torna mais resistente às doenças", esclarece.

Para Monezi, na esfera psicológica, "a caridade ajuda o ser humano a ser mais otimista diante dos problemas". Ele cita um estudo desenvolvido em parceria com a ONG Projeto Felicidade, que cuida de crianças carentes com câncer em São Paulo. Há dois anos o psicobiólogo iniciou um monitoramento da qualidade de vida de seus voluntários, que são quase 150. "Resultados preliminares indicam que todos demonstraram estar mais dispostos e otimistas", diz.

Para a neurocientista Paula Fernandes, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ser caridoso também tem uma importância social. "Proporciona uma sensação de dever cumprido, despertada na região límbica central do cérebro, que processa as emoções. O lobo frontal também é ativado e tem a função de atuar na consciência do julgamento moral", detalha.

De acordo com os especialistas, as reações pós-caridade são estudadas pela ciência há mais de 10 anos. "Assim como algumas atividades esportivas liberam substâncias que proporcionam prazer, ser caridoso também é estimulante. Quem faz o bem uma vez certamente vai querer repetir o ato pela satisfação que sentiu", completa Paula.

Quando se trata do aspecto social da caridade, as considerações dos especialistas contemplam críticas. "A caridade oferece uma solução imediata, mas não garante os direitos sociais do ser humano, como moradia, alimentação, saúde e educação. O provedor desses direitos deve ser o Estado", afirma a pesquisadora Maria Carmelita Yazbek, pós-doutora em serviço social pela Universidade de São Paulo (USP) e professora do curso de pós-graduação em serviço social da PUC- SP.


Maria Carmelita não se diz contrária à caridade, apenas alerta para a necessidade de se chegar a um ponto de equilíbrio entre o que é dever do Estado e o que cabe ao cidadão.

BOXE:

RECOMPENSAS

Corpo: doenças crônicas, como enxaqueca, seriam amenizadas. Mais resistência imunológica

Mente: mais otimismo e paciência. Menos riscos de ter depressão, ansiedade e estresse

Social: mais tolerância, interação positiva com o outro. Forte
sensação de dever cumprido

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