Fazendeiro acusado de mandar matar Dorothy Stang nega participação no crime

PARÁ - O fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, conhecido como Bida, acusado de ser o mandante do assassinato de Dorothy Stang, enfrenta novo júri popular nesta segunda-feira, em Belém (PA). Segundo o Tribunal de Justiça do Estado, Moura negou que tivesse mandado matar a missionária e afirmou que não conhecia Rayfran das Neves Sales, acusado de ser o executor do crime.

Redação com Agência Estado |

AP
Dorothy Stang em foto de arquivo
A missionária Dorothy Stang era defensora dos direitos humanos e trabalhava em área de conflitos fundiários. Ela foi assassinada em 12 fevereiro de 2005, aos 73 anos, no município de Anapú, no sudeste do Pará.

O novo julgamento dos acusados de participação no crime teve início às 8h no salão do júri do Fórum de Belém. O primeiro a ser interrogado pelo juiz presidente do processo, Raimundo Moisés Flexa, foi Vitalmiro Moura. O fazendeiro responde como mandante da morte, que teria sido motivada por disputa de lote de uma área que estava sendo destinada a assentar colonos do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS).     

Em seguida, foi a vez de Rayfran Sales responder às perguntas do juiz, do promotor e dos advogados assistentes de acusação e de defesa.

De acordo com o TJ, ao todo serão ouvidas nove pessoas, duas delas são testemunhas da acusação e as demais da defesa.

Sales assume culpa e inocenta os demais

Conforme informações da assessoria do TJ, ao ser interrogado, Sales disse que a arma usado no crime era de sua propriedade e não do fazendeiro, como alegou em depoimentos anteriores. Ele reforçou as declarações prestadas antes por Moura, de que ele não está envolvido na execução.

Segundo o TJ, Sales assumiu integralmente a autoria do crime e disse que trabalhava para Amair Feijoli Cunha, conhecido como Tato, e se sentia ameaçado por Dorothy e pelos colonos do PDS.

A assessoria do tribunal informou ainda que o atirador alegou que antes de baler a vítima teria travado uma breve discussão com ela. Ele inocentou os demais envolvidos.

Condenações

Como Moura e Sales foram condenados a mais de 20 anos de prisão cada um, 30 e 27 anos respectivamente, eles tiveram direito a novos julgamentos. O fazendeiro foi condenado em 14 de maio de 2007. Sales foi condenado em dezembro de 2005, recorreu e em 22 de outubro de 2007 o júri confirmou a condenação. A defesa dele recorreu, alegou problemas técnicos e o segundo julgamento foi anulado.

Amair Feijoli da Cunha, acusado de intermediar o crime, recebeu pena de 27 anos de prisão, reduzida para 18 anos por causa da delação premiada.

Clodoaldo Carlos Batista, que presenciou o crime e nada fez para impedi-lo, foi sentenciado a 17 anos de reclusão.

Regivaldo Pereira Galvão, acusado de ter planejado e mandado matar a missionária, também deve ir a júri. Ele está recorrendo em instância superior. Moura, Sales e Cunha estão presos.

A previsão é a de que o julgamento iniciado nesta segunda-feira demore dois dias.

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