A faxineira Sônia Aparecida Krepschi Dias, de 48 anos, morreu na noite de sábado em Araras (a 169 quilômetros de São Paulo) com suspeita de dengue hemorrágica. A família disse nesta segunda-feira (23) que vai aguardar resultados de exame que será feito pelo Instituto Adolfo Lutz para decidir quais providências tomar em relação ao Hospital São Luiz, último local em que a faxineira foi atendida desde que começou a passar mal, no dia 15.

"Fomos tratados com descaso", afirmou uma cunhada de Sônia, a técnica em enfermagem Cláudia Cristina Olivério Krepschi, 38 anos. Um Boletim de Ocorrência registra duas causas suspeitas para a morte da faxineira - dengue hemorrágica e pneumonia. O Grupo Estado tentou contato com a diretoria do Hospital São Luiz nesta segunda-feira, mas de acordo com informações dos funcionários não havia diretores no local.

De acordo com Cláudia, sua cunhada passou mal no domingo (15), quando sentiu fortes dores no corpo. Na segunda-feira (16), a faxineira acordou com febre e procurou um posto do Programa de Saúde da Família próximo ao conjunto habitacional em que morava, no bairro José Ometto 3, periferia de Araras. "O médico disse que os sintomas eram de gripe ou dengue simples", disse Cláudia. No mesmo dia a mãe da paciente, Rosa Rodrigues Krepschi, de 66 anos, levou a filha ao Hospital Municipal Elisa Sbrissa Franchozza. "Continuaram suspeitando de dengue", disse a cunhada.

Gripe

Na quinta-feira (19) Sônia procurou o Hospital São Luiz e foi internada por suspeita de dengue. "Na quinta, uma médica do pronto-socorro disse que poderia ser uma gripe forte ou virose, primeiramente. Mas na ficha de internação estava a suspeita de dengue", disse Andreza, uma das filhas de Sônia.

Na sexta-feira (20), além das dores no corpo e da febre, a faxineira também sentia falta de ar. "No sábado (21) de manhã pedi ao médico responsável, Márcio Cunha, que fizesse um raio X, já que ela reclamava muito de falta de ar", afirmou a cunhada de Sônia. "O raio X foi feito às 15 horas. Antes das 16 horas, ela já estava no CTI (Centro de Terapia Intensiva). À noite, quando cheguei para a visita, fui informada de que a Sônia tinha tido uma parada respiratória e o médico disse que o pulmão dela tinha sido tomado por sangue, indicando a dengue hemorrágica", disse a cunhada. Sônia morreu por volta de 23 horas.

De acordo com a família, o médico pediu autorização para o Instituto Médico Legal fazer exames para confirmar a suspeita de dengue hemorrágica. "Às 7 horas de ontem (23), o corpo dela estava em Limeira, mas quando deu meio-dia o médico disse que não poderia fazer os exames. O corpo chegou em Araras às 14 horas. Velamos a Sônia pouco mais de duas horas, isso foi um desrespeito", afirmou. "Hoje (23) recebemos a visita de profissionais da Vigilância Epidemiológica do município. Sequer tinha sido feita uma notificação à saúde pública, nem como suspeita de dengue", disse Cláudia. Representantes da Secretaria Municipal de Saúde não foram localizados nesta segunda-feira para falar sobre o caso.

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