Favoritismo de Temer na Câmara abre disputa por comando do PMDB

Por Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - O crescente favoritismo do deputado Michel Temer (PMDB-SP) na eleição para a presidência da Câmara precipitou o debate sobre a disputa pelo comando do PMDB, cargo atualmente ocupado pelo parlamentar e considerado estratégico nas negociações para a formação das coligações partidárias de 2010.

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As eleições para as presidências da Câmara e do Senado estão marcadas para o dia 2 de fevereiro. Além de Temer, os deputados Osmar Serrraglio (PMDB-PR), Ciro Nogueira (PP-PI) e Aldo Rebelo (PCdoB-SP) concorrem ao cargo. Temer, entretanto, já conquistou o apoio da maioria dos partidos governistas e da oposição.

No fim do ano passado, a Executiva Nacional do PMDB prorrogou os mandatos dos dirigentes da legenda até março de 2010. Crescem, entretanto, os rumores de que Temer poderia se licenciar da presidência do partido se voltar a presidir a Câmara.

"Só vou decidir isso depois da eleição. Vou reunir a Executiva e nós vamos discutir", desconversou Temer.

Candidatos para sucedê-lo não faltam. Até agora, a primeira vice-presidente do partido, deputada Íris de Araújo (GO), é a única a assumir publicamente a intenção.

"Ele (Temer) acha que terá dificuldades de cumprir as duas obrigações (acumular as presidências do PMDB e da Câmara)", disse Íris, que foi candidata a vice-presidente da República, em 1994, na chapa liderada pelo ex-governador de São Paulo Orestes Quércia.

"Eu me preparo para assumir. O caminho racional e lógico é esse", acrescentou. Se substituísse Temer, Íris permaneceria no cargo até o fim do mandato ou convocaria uma nova eleição.

Com a vice na presidência, a influência de Temer no comando do partido permaneceria. "A gente tem uma sintonia muito grande. A gente vai se completar", disse a deputada. "Se houver outra eleição, me coloco como candidata."

Quércia, que atualmente preside o diretório do PMDB em São Paulo, também foi apontado com interessado no cargo, mas negou o propósito. "O Michel vai continuar na presidência. Fica a mesma coisa", afirmou, lembrando que Ulysses Guimarães acumulou as presidências da Câmara e do partido no fim da década de 1980.

Outra ala da legenda também se articula. Se não conquistarem a presidência do Senado, os senadores peemedebistas tentarão obter um outro canal direto de comunicação com o governo e demais partidos. O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), tenta se reeleger, mas o senador José Sarney (PMDB-AP) pode entrar na disputa.

Se o PMDB perder a presidência do Senado e Temer vencer na Câmara, os senadores do partido podem tentar acelerar o processo de sucessão do deputado. O líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), deve ser então o candidato da bancada.

Para o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), se Temer de fato se licenciar, a vice-presidente deveria assumir um mandato tampão e convocar uma convenção nacional do partido para que o próximo presidente da sigla seja escolhido.

"Poderia antecipar a convenção, já que houve essa prorrogação (do mandato do atual presidente). Pode se estabelecer um entendimento para encurtar essa prorrogação e fazer uma convenção", argumentou Raupp.

Outro potencial candidato à presidência do PMDB é o deputado Eunício Oliveira (CE), que está em viagem aos Estados Unidos. O parlamentar foi ministro das Comunicações no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como o PMDB é o maior partido do país, o presidente terá um papel importante nas negociações com outras siglas para a formação das coligações nas eleições de 2010. PT e a oposição -- PSDB, DEM e PPS -- já começaram a assediar o PMDB, que, apesar de integrar a coalizão governista, tem políticos alinhados à oposição.

Um deles é Quércia. "Vou trabalhar no sentido de o partido apoiar o Serra (José Serra, governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência)", adiantou.

Já Íris deixa a decisão de quem o PMDB deve apoiar em 2010 em aberto. "Não dá para a gente fazer qualquer análise precipitada."

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