Fator psicológico também é importante no tratamento para fertilidade

O desejo de superar problemas de fertilidade e ter um filho biológico leva milhares de casais brasileiros a buscar tratamentos em clínicas especializadas. O foco, em geral, está em problemas físicos de ambos que impossibilitam a geração de uma nova vida.

Agência Estado |

Cresce, porém, a importância do acompanhamento psicológico como coadjuvante rumo à gestação. A psicóloga Luciana Leis, da Clínica Gera, em São Paulo, explica que fatores de casos concretos de infertilidade estão associados a questões psicológicas. "Daí a importância de ver o corpo como um todo, associado à mente".

Esse acompanhamento não é obrigatório mas é normalmente recomendado para orientar os casais, ansiosos pela busca por um filho biológico. O medo da orientação psicológica, explica a psicóloga, está em não querer enfrentar questões pessoais, bloqueios da infância, ou ainda descobrir que há problemas de relacionamento entre o casal. "Muitas vezes, a criança é desejada como uma tentativa de sanar esses problemas sem exigir reflexão e mudança de atitude do homem e da mulher na relação. Com medo de encarar essa realidade, muitos não aderem ao acompanhamento", diz.

Para os que aderem, Luciana explica que o primeiro passo é criar caminhos para que o casal compreenda que o tratamento da fertilidade pode ser bem ou mal sucedido, para poder lidar com a frustração. Também são trabalhadas questões como a forma que o casal encara o desafio. Caso não haja possibilidade de gestação após várias tentativas, o psicólogo acompanha também essa fase, em que o casal precisa aprender a lidar com o fato.

"Passada essa fase, procuramos mostrar que a vida oferece vários caminhos. Um deles é a adoção. Procuramos mostrar que o filho adotivo não terá a tão desejada cara do pai e da mãe, não carregará a genética da família como muitos casais desejam quando querem um filho biológico", explica Luciana. Mas, diante da impossibilidade de conceber, "muitos aceitam a realidade e passam a encará-la de forma mais positiva, vendo que ter um filho não-biológico também pode ser gratificante".

Cecília Nascimento

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