Centenas de fãs e personalidades fizeram fila do lado de fora do Congresso da Nação de Buenos Aires, onde a cantora Mercedes Sosa, falecida na madrugada deste domingo, será velada até o meio-dia de segunda-feira.

Homens e mulheres de todas as idades e com flores nas mãos esperam pacientemente para dar seu último adeus à artista, cujo corpo ficará exposto no Salão dos Passos Perdidos.

Simultâneo a isso, milhares de mensagens de todas as partes do mundo estão chegando ao site da cantora.

"A secretária de Cultura da Nação se despede com profundo pesar de Mercedes Sosa, 'La Negra', uma das mais trascendentais representantes da cultura argentina no mundo", afirmou Jorge Coscia, secretário de Cultura, assegurando que "sua voz é única e será para sempre inesquecível". "Dona de um repertório comprometido com a identidade latino-americana e mulher de sensibilidade social, 'La Negra' foi uma das maiores figuras do canto popular universal", afirmou ainda.

"A Argentina chora uma de suas filhas mais talentosas", assinalou, por sua parte, o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli.

"Foi uma mulher que transcedeu as fronteiras da música e projetou o folclore não apenas como um emblema artístico e cultural a nível mundial, como também o canto de liberdade e de justiça", acescentou.

"Foi a voz dos que não tinham voz na época da ditadura e levou a angústia pelos direitos humanos na Argentina a todo o mundo", declarou o músico Víctor Heredia, cantor e compositor de algumas músicas que ficaram famosas na voz de Mercedes Sosa como "Razón de Vivir".

O roqueiro Charly García, recém-recuperado de um grave quadro de saúde, também homenageou 'La Negra': "Ela foi em seu momento a melhor voz argentina. É quase uma estrela do rock".

"Perdi uma amiga, uma pessoa muito próxima e muito generosa. Acho que todos nós perdemos uma mulher guerreira, de voz linda, que pôs sua arte a serviço das causas mais importantes", declarou o cantor Raimundo Fagner, um dos muitos artistas brasileiros com que Mercedes Sosa fez dueto.

Para o pesquisador Ricardo Cravo Alvim, "não foi apenas a Argentina que perdeu Mercedes Sosa, foi o mundo inteiro que perdeu". "A obra de Mercedes Sosa definiu uma solidaridade global, utilizando sua música poderosa para cantar o melhor do ser humano", afirmou ainda.

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