O presidente-executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) Sérgio Mena Barreto rebateu as críticas de que as farmácias hoje seriam grandes canais de informalidade. Segundo ele as farmácias vendem sem receita médica porque a população não tem acesso a ela. As críticas foram feitas pelo diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Dirceu Raposo de Mello, na semana passada, em um evento de líderes empresariais na capital gaúcha ¿ ocasião em que foi entrevistado pelo iG.

Na entrevista o presidente da Anvisa comentou os planos da agência de exigir a retenção da receita médica na compra de antibióticos, da mesma forma que é feito com remédios identificados com a tarja preta. A medida seria uma tentativa de contribuir com a redução do número de casos de resistência bacteriana no País, um problema que ocorre em escala mundial.

Segundo Mello, se os donos de farmácias estivessem cumprindo a legislação atual ¿ hoje essa classe de medicamentos exige a apresentação da receita no momento da compra ¿ não seria necessário aumentar o rigor na comercialização.

Para Sérgio Mena Barreto, da Abrafarma, as declarações do presidente da Anvisa são hipócritas. Segundo o representante das maiores redes de farmácias e drogarias do País, o Brasil tem centenas de municípios sem médicos para fazer as prescrições, uma situação que deixa a população e as próprias farmácias sem alternativas.

É muito fácil dizer que não cumprimos a lei. É tarefa do governo, do qual faz parte a Anvisa, dar acesso a quem precisa de saúde. Já fizemos pesquisas sobre isso e sabemos que as pessoas não gostam de comprar sem a receita. O problema é que a doença não espera e o acesso, quando existe, é lento demais diz Barreto.

Outra crítica feita por Dirceu Raposo de Mello às farmácias foi a crescente desvirtuação do papel tradicional destes estabelecimentos de vender medicamentos curativos. Para Mello, a ampliação do leque de produtos que são vendidos dentro das farmácias brasileiras teria aberto caminho para a informalidade ¿ cujo principal vilão seria a falsificação de medicamentos.

As farmácias funcionam dessa forma porque os consumidores preferem assim. Na Europa e nos Estados Unidos as grandes redes vendem até eletrodomésticos e isso não interfere na qualidade do serviço prestado. O que precisa acontecer é fiscalização dos locais que não cumprem o mínimo e isso é trabalho da Anvisa, afirma o representante da Abrafarma, acrescentando que as farmácias filiadas à sua associação compram medicamentos diretamente da indústria farmacêutica. Isso, segundo Barreto, reduziria a zero a possibilidade de venda de remédios falsificados entre os membros da Abrafarma.

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