Faria Lima terá megacomplexo de luxo em terreno de R$ 700 mi

Terreno com o metro quadrado mais caro já vendido em São Paulo, o lote de 120 mil metros quadrados no quarteirão formado pela Avenida Brigadeiro Faria Lima e pelas Ruas Horácio Lafer, Iguatemi e Aspásia, na zona sul, abrigará uma torre comercial de até 20 andares e um complexo gastronômico e cultural ao redor de uma casa bandeirista do século 18. As obras começam em junho e estão previstas para acabar em 40 meses.

Agência Estado |

O espaço será aberto ao público e o complexo gastronômico promete chamar a atenção, recebendo redes estrangeiras que ainda não abriram no Brasil. O estilista italiano Giorgio Armani já procurou os proprietários e quer construir no local um conjunto com spa, restaurante, café e chocolateria.

A construtora Company, a Brascan Residential Properties (canadense) e o Grupo Victor Malzoni são os novos donos do empreendimento. O terreno foi comprado de empresas portuguesas (Soc Vendome e Blue Stone) que representam investidores do Catar. O valor total pago é avaliado em quase R$ 700 milhões.

Os brasileiros desembolsaram R$ 250 milhões em dinheiro. O restante será pago com permuta: os investidores ficarão com 26 mil dos 80 mil metros quadrados do edifício comercial. "Se considerarmos o valor do metro quadrado da região - de R$ 17 mil - a parte dos portugueses será de R$ 442 milhões. Com isso, o valor do terreno sobe para quase R$ 700 milhões", explica o presidente da Construtora Company, Walter Lafemina.

Cada andar terá 5 mil metros quadrados, o que faz dele o prédio mais largo do País. Em geral, os grandes edifícios comerciais têm menos da metade desse tamanho. "Ele vai atender a grandes empresas e multinacionais", acredita Lafemina. Vale dizer que o aluguel na região chega a R$ 150 mensais por metro quadrado.

Diferentemente do projeto original, já aprovado pela Prefeitura, o empreendimento atual não terá hotel nem shopping center. "A região já está muito bem servida", justifica o presidente do Grupo Victor Malzoni, Rubens Marques Ferreira Júnior.

Negociações

A escritura foi assinada na sexta-feira em Paris, onde toda a negociação foi feita. O investidor Naji Nahas, que oficialmente foi dono do terreno nos anos 80, teria ficado à frente da operação, segundo um empresário do setor. Nahas passa grande parte do tempo em Paris e tem bom relacionamento com investidores do Catar e de outros países árabes. Também é amigo pessoal de Paulo Malzoni, responsável pelas negociações. O empresário já havia tentado adquirir o terreno há 12 anos. Na ocasião, o dono queria US$ 100 milhões pelo pedaço de terra.

Essa é uma das regiões mais cobiçadas pelo mercado imobiliário. Quanto ao excesso de oferta, os novos donos não demonstram preocupação. Eles confiam na localização e no projeto para atrair clientes. O prédio deve ficar pronto depois do lançamento da segunda fase do Rochaverá (torre de escritórios na frente do Shopping Morumbi) e do complexo comercial da construtora Walter Torre - que está sendo construído no terreno do "esqueleto" da Eletropaulo. Todos disputam o mesmo cliente.

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