Famílias passam fome em Manacapuru, diz Defesa Civil

Defesa Civil tem dificuldade em distribuir alimentos em regiões isoladas por causa da seca por falta de helicópteros

Lecticia Maggi, enviada a Manacapuru |

A seca recorde que atinge o Amazonas deixa pelo menos 36 localidades isoladas na cidade de Manacapuru, a quarta maior do Estado, localizada a cerca de 90 km de Manaus. “Tem família passando fome”, afirma Elma Pinheiro Magalhães, coordenadora da Defesa Civil municipal que, desde a última segunda-feira, concentra esforços para levar alimentos às pessoas mais prejudicadas.

Divulgação/Defesa Civil AM
Barco fica encalhado em Manacapuru com a seca que atinge o Amazonas
Somente no leito do rio Manacapuru são 16 comunidades que estão ilhadas. O levantamento do órgão mostra que 145 comunidades foram afetadas, totalizando 12.695 pessoas.

Sem água, não há peixe e não há pesca, a principal forma de sustento da população que margeia os rios do municípios. Alguns moradores, explica a secretária do Turismo local, Lo Amir Ribeiro Fernandes, se precaveram e conseguiram estocar alimentos. “Quando o rio começa a secar tem aquele acúmulo de peixe. Depois, os peixes vão correndo para onde tem água. Quem tem geladeira e energia elétrica salgou e está se mantendo com isso”, afirma ela.

Outros, além de não terem peixes, perderam também as hortas que mantinham. “Não dá para aguar. Até a mandioca que é mais forte queimou”, diz. E o que sobrou dificilmente é utilizado. “Sem água não dá para fazer farinha. A mandioca não serve para cozinhar e comer, é só para farinha d´água.”

Divulgação/Defesa Civil AM
Ilhados, moradores de regiões de Manacapuru estão passando fome por conta da seca
Auxílio

Quando não estão completamente isolados – alguns acessos são feitos por helicóptero –, os ribeirinhos que antes saíam de casa com o pé no rio hoje precisam caminhar quilômetros. “Tem lugar do rio Manacapuru que é preciso andar 5h, 6h para chegar”, diz Elma Pinheiro Magalhães. Em Paraná dos Munducarus fotos cedidas ao iG pelo órgão mostram que há um mês os rios já estavam secos.

As dificuldades na cidade não são poucas. Ainda aguardando o helicóptero prometido pela Defesa Civil da capital, os alimentos são levados por um helicóptero cedido pela Polícia Militar. E o trabalho é demorado. “Cada cesta básica pesa 20kg e um helicóptero leva de 18 a 20. Tem comunidade com 60, 100 famílias. São várias viagens para abastecer um só local”, afirma. Com número reduzido de funcionários, o órgão precisou de ajuda para lidar com a seca e conta agora com cerca de 30 pessoas divididas em turnos.

Deslizamento

De forma indireta, a seca já causou mortes também em Manacapuru. Uma encosta cedeu no local conhecido como Terra Preta e atingiu um barco, onde três crianças dormiam no último dia 19. Os corpos de Anderson da Silva Leite, de 1 ano, e de Beatriz da Silva Leite, de 10 anos, foram localizados. Já Silvana da Silva Leite, de 5 anos, não foi encontrada e o Corpo de Bombeiros suspendeu as buscas na quarta-feira.

Este tipo de deslizamento de terra é conhecido como “fenômeno das terras caídas” e tem risco alto de acontecer na margem do rio Solimões. Nesta época de rios mais baixos, a água faz com que uma das margens do rio tenha erosão, enquanto na outra há acúmulo de terra.

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