Familiares pedem justiça em documentário sobre o ex-presidente João Goulart

BRASÍLIA - A família do ex-presidente João Jango Goulart, falecido na Argentina em 1976, afirma que ele foi assassinado e reclama que a justiça de seu país esclareça os fatos, ao apresentar em Montevidéu um documentário sobre o caso.

AFP |

A viúva de Goulart, Maria Teresa, seus filhos, João Vicente e Denise, e seus netos, Christopher e Marcos, apresentaram o filme "Jango em três atos", uma produção da TV Senado que narra o golpe, o exílio e a morte do ex-dirigente.

A família afirmou que o Ministério Público brasileiro está travando a investigação.

"A investigação está parada no Ministério Público. Tivemos que pedir uma ação de interesse público há dois anos, porque um pedido da família tinha sido rejeitado por prescrição de delito", declarou João Vicente.

"Vamos esperar até março de 2010 antes de recorrer à justiça internacional", avisou o filho do ex-presidente, sem descartar uma ação legal na Argentina.

"Esperaremos até março do ano que vem antes de recorrer à justiça internacional", indicou João Vicente, que não descarta abrir uma ação legal na Argentina.

A família de Goulart se baseia em documentos e depoimentos facilitados pelos governos de Argentina e Uruguai que confirmariam o assassinato do ex-dirigente por envenenamento no marco do Plano Condor, que coordenou a repressão das ditaduras nos anos 70 no Cone Sul.

Depois do golpe de Estado que sofreu, Goulart se exilou no Uruguai e na Argentina, onde faleceu em 6 de setembro de 1976, oficialmente de infarto, depois de um suposto envenenamento que teria começado no Uruguai, onde era seguido por agentes secretos.

Jango teve que ir para a Argentina depois que, em 1976, o governo de fato uruguaio negou-lhe residência oficial, indicando que devia renunciar a sua condição de asilado.

Documentos proporcionados pelo ministério da Defesa uruguaio à família Goulart indicam que Jango era considerado "subversivo" pelo regime de fato (1973-1985) e que teria sido derrubado por suas "conexões comunistas".

Esses documentos dão conta dos negócios e reuniões de Jango com o ex-presidente argentino Juan Domingo Perón, o senador uruguaio Zelmar Michelini - assassinado em Buenos Aires em maio de 1976 - e com o derrubado ex-presidente boliviano Juan José Torres (1970-1971), assassinado na capital argentina em junho de 1976.

O ex-agente da inteligência uruguaio Mario Barreiro Neira, preso desde 2003 em um presídio de alta segurança de Porto Alegre por tráfico de armas, declarou em maio de 2008 ante a Comissão da Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, que participou da chamada 'Operação Escorpião', que tramou o assassinato de Goulart.

Indicou que as pílulas que Goulart tomava para o coração foram trocadas. De acordo com os familiares de Jango, a substituição foi feita por "hipertensor", desenvolvido pelo ex-agente chileno Eugenio Berríos, assassinado no Uruguai.

Barreiro Neira também disse, em entrevista ao jornal uruguaio La República, em declarações também publidadas na Folha de São Paulo, que Goulart foi assassinado por decisão do governo brasileiro e executado pelo serviço secreto do Uruguai.

Segundo a família Goulart, o Brasil "tem o dever moral de esclarecer o ocorrido" e denunciou a "falta vontade política porque investigar a morte de Jango seria rever a Lei da Anistia".

Leia mais sobre: Jango

    Leia tudo sobre: joão goulartjustiçapesquisa

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG