Familiares de jovem morto na zona sul do Rio se reúnem com governador

RIO DE JANEIRO ¿ O governador Sérgio Cabral se reuniu, nesta terça-feira, com os parentes do estudante Daniel Duque Pittman, de 18 anos, morto com um tiro em frente à boate Baronetti, em Ipanema, zona sul. Familiares do garoto Renan Fernandes Domingues, que morreu depois de ser atingido por uma bala perdida na favela do Muquiço, na zona norte, também participaram da reunião, no Palácio Guanabara.

Redação |


De acordo com o padrasto de Daniel, Sergio Coelho, o governador ficou muito sensibilizado com o caso e pediu uma investigação minuciosa das circunstâncias. Cabral teria ligado para comandantes da polícia para ser informado pessoalmente sobre o andamento da apuração dos fatos. Segundo Coelho, a versão do policial militar Marcos Parreira do Carmo, que teria atirado no estudante em legítima defesa, é um absurdo.

O PM faz, há sete anos, a segurança da promotora Márcia Velasco, que atua na área criminal do Ministério Público. Ela é mãe de Pedro Velasco, que estava com o segurança nas imediações da Baronetti, onde, segundo testemunhas, foram feitos dois disparos para o alto e um terceiro que atingiu Daniel Duque.

Depoimento do filho da promotora

Pedro Velasco, filho da promotora Márcia Velasco, disse em depoimento à 14ª DP (Leblon), nessa segunda-feira, que o policial militar que o acompanhava foi atacado por amigos de Daniel Duque Pittman e teve que atirar por legítima defesa. A declaração confirma a dada pelo PM na mesma unidade policial no último sábado.

Pedro contou que estava saindo da boate, quando um conhecido que estava com uma garota disse que estava sendo perseguido e pediu ajuda. Ele teria tentado dar uma carona para o casal, mas foi atacado por um grupo de adolescentes.

Fernandinho Beira-Mar

O coordenador de segurança e inteligência do Ministério Público Estadual, promotor Dimitrius Viveiros Gonçalves, informou que o traficante Fernandinho Beira-Mar, preso na Penitenciária Federal de Segurança Máxima, em Campo Grande, vem ameaçando a promotora e ameaça matá-la assim que sair da unidade prisional.

Divulgação
fef
Daniel Duque, 18
Recebi um relatório de inteligência, obtido através de uma escuta ambiental na prisão de segurança e ele (o traficante) faz um comentário em tom bastante raivoso no sentido de que tem um ódio mortal pela promotora Márcia Velasco. Ele diz que a hora que sair dali, na hora que for, ele vai matá-la, disse.

Segundo Viveiros, uma pessoa que precisa efetivamente de um trabalho de segurança é a doutora Márcia Velasco, disse. Cada um age de uma forma, mas uma situação como essa, infelizmente, serve para a gente repensar determinados pontos, porque, no fim das contas, ficamos com o bom senso do segurado e aí situações como indesejáveis ¿ não necessariamente como essa ¿ podem acontecer e obviamente temos que rever alguns aspectos, apontou.

O procurador-geral do ministério, Marfan Martins Vieira, afirmou que vai instaurar nesta segunda-feira um procedimento administrativo no MP para apurar as circunstâncias da morte do jovem. A investigação independente do processo criminal aberto pela Polícia Civil e, se for comprovado desvio de conduta, o acusado pode ser devolvido à corporação. O PM ¿ que está preso e foi autuado em flagrante acusado de homicídio - e testemunhas serão ouvidos.

Protesto pacífico

Simone Villas-Boas/Rio de Paz
Protesto no Palácio Guanabara
Dois balões de gás, presos em cordas de 2,5 metros e com cruzes pintadas, foram instalados na frente do Palácio Guanabara na manhã desta terça-feira. A iniciativa é um protesto da ONG Rio de Paz, e pretende homenagear o jovem Daniel Duque, morto por um policial na noite deste sábado quando saía da boate Baronneti, em Ipanema, e o menino Ramón Fernandes Dominguez, atingido por uma bala perdida na favela do Muquiço, em Guadalupe. A ONG também pretende chamar a atenção do governador Sérgio Cabral para o alto índice de homicídios no Rio de Janeiro.

Entenda como agem os seguranças do MP

O coordenador de segurança e inteligência disse que dos cerca de 200 policiais militares cedidos ao Ministério Público, menos de 10% agem na segurança de promotores. A grande maioria trabalha na gerência de inteligência e na gerência de apoio operacional, responsável pelas diligências do órgão em todo o Estado.

De acordo com ele, são quase 600 promotorias em quase 15 centros regionais e há um Grupo de Apoio a Promotores (Gap) colaborando com o trabalho desenvolvido pelo MP. Se a PM tiver que deixar o MP, o ministério praticamente pára. Deflagramos grandes operações de apreensão de bens, fiscalização de renda e a parte de execução é comandada pela coordenadoria com o apoio dos policiais militares. Precisamos deles, aponta Dimitrius.

Ele explica que a extensão de segurança é avaliada caso a caso e, atualmente, só é aplicada para dois promotores, um deles sendo a Márcia Velasco, envolvida no inquérito do caso Beira-Mar, Morro da Providência e das Milícias no Rio.

O caso

Segundo testemunhas, a vítima estava comemorando um aniversário na boate Baronetti, em Ipanema, na zona sul, quando, por volta das 5h, saiu do estabelecimento acompanhando de dois amigos. Daniel seguiu na frente com um dos amigos e se envolveu em uma briga com um grupo rival. O estudante teria ficado bastante machucado, quando foram ouvidos três tiros, dois para o alto e um que atingiu o jovem.

Ele foi levado às pressas para o Hospital Copa Dor, em Copacabana, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. A administração da Baronetti informou que não foram registradas brigas ou confusões dentro da boate.

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