Família de vítima e militantes comemoram condenação

Em frente ao fórum, em Belém, manifestantes que acompanhavam o julgamento festejaram sentença para acusado de matar Dorothy Stang

iG São Paulo |

A condenação do fazendeiro Regivaldo Galvão, o “Taradão”, acusado de mandar matar a missionária  Dorothy Stang, foi comemorada por familiares da vítima e militantes de direitos humanos que se encontravam dentro e fora do Tribunal do Júri. Galvão foi sentenciado pelos jurados a 30 anos de prisão pelo crime, ocorrido em Anapu (PA) em 2005. Ele terá de cumprir a pena em regime fechado sem direito de apelar em liberdade da condenação.

AE/ANTONIO CÍCERO
Faixas de manifestantes que exigiam justiça em frente ao Fórum Criminal de Belém, no Pará, na manhã desta sexta-feira (30), antes do julgamento

Após a leitura da sentença, no começo da madrugada, manifestantes que acompanhavam o julgamento no Fórum Criminal de Belém, na Cidade Velha, fizeram festa e dançaram do lado de fora. Eles levavam faixas, camisetas e cartazes com o rosto da missionária em frente ao local.

Ao ler a sentença, o juiz Raimundo Moisés Flexa afirmou que cinco homens e duas mulheres, na condição de jurados, entenderam que o réu, acusado de ser um dos mandantes do crime, agiu para satisfazer sua "cobiça e ambição pessoal". Galvão foi levado para um presídio na região metropolitana de Belém, onde cumprirá a pena. O advogado Jânio Siqueira, defensor de Galvão, anunciou que pretende recorrer contra a condenação.

O julgamento

O promotor Edson Cardoso, com assistência dos advogados Nilo Batista, Aton Fon Filho e José Batista Afonso, buscou demonstrar aos jurados a culpabilidade do réu no processo e o seu envolvimento no plano de assassinato da missionária Dorothy Stang.

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O irmão da missionária assassinada Dorothy Stang, David Stang (e), durante o julgamento do fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão
Eles chamaram a atenção dos jurados para que atentassem para o tipo de crime, correspondente ao crime de encomenda. A acusação sustentou a tese de homicídio qualificado, com promessa de recompensa, motivo torpe e uso de meios que impossibilitaram a defesa da vítima. O promotor ressaltou ainda a ameaça que a vítima representava para os fazendeiros, em virtude das atividades sociais que exercia, principalmente na região da Transamazônica.

A acusação demonstrou o elo que existia entre os réus no processo e as declarações de Amair da Cunha apontando Vitalmiro Moura e Regivaldo como responsáveis pelo planejamento do homicídio.

Os advogados Jânio Siqueira e César Ramos, defensores de Galvão, rebateram a tese de homicídio qualificado sustentada pelo Ministério Público, contrapondo-a com a tese de negativa de co-autoria. Durante o tempo que lhes coube (uma hora e meia) os defensores afirmaram não existir provas que comprovassem a participação do réu. Exploraram também o testemunho de Amair da Cunha, o Tato, apresentado na sessão de júri, que pediu perdão ao acusado por tê-lo envolvido no crime como mandante. 

* Com informações da Agência Estado

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