A família do professor americano Joseph Martin, assassinado aos 30 anos por um policial civil, fez ontem um protesto no Cristo Redentor. Com faixas bilíngues, a mãe e a tia de Martin, além de outros parentes de vítimas da violência policial, distribuíram panfletos e chamaram a atenção para o julgamento do inspetor João Vicente Sá Freire de Oliveira, marcado para terça-feira.

"Só esperamos o que toda família de vítima da violência deseja: um julgamento justo", afirmou a tia do americano, Elizabeth Martin.

O protesto não estava autorizado e houve alguma dificuldade para estender faixas com os dizeres "15% dos assassinatos no Rio são cometidos pela polícia" e "até quando a polícia vai matar nossos filhos? Estrangeiros também são vítimas da violência policial no Rio". A imprensa foi impedida pela segurança de chegar até o monumento. "Foi realmente muito forte ver a beleza da cidade contrastando com a violência policial contra a qual protestamos", disse Elizabeth.

O professor americano, que vivia no Rio, comemorava aniversário na Lapa, em maio de 2007, quando uma criança tentou roubar a bolsa de sua amiga. O policial civil João Vicente Oliveira deteve a criança. "Meu sobrinho interveio, porque sabia que o menino apanharia. Pediu que ele fosse solto. Na confusão, a criança fugiu e o policial, irritado, atirou em Joseph", contou Elizabeth.

A defesa do inspetor Oliveira alega que Martin teria tentado tirar a arma do policial, que agiu em legítima defesa. "Duas pessoas disseram categoricamente em juízo que Joseph não atacou o policial e tampouco tentou tirar a sua arma", rebate a mãe do americano, Frances Martin.
O julgamento do inspetor está marcado para as 12 horas do dia 23, no 3º Tribunal do Júri. Frances e Elizabeth estão no Rio desde o início do mês e participaram de eventos contra a violência.

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