Das 81 cadeiras do Senado Federal, 54 serão postas em votação este ano. Mas faltam vagas. A origem do problema é que a briga para lançar chapas fortes e até mesmo as alianças brancas nos Estados estão sendo atropeladas pelos acordos nacionais de cada partido." / Das 81 cadeiras do Senado Federal, 54 serão postas em votação este ano. Mas faltam vagas. A origem do problema é que a briga para lançar chapas fortes e até mesmo as alianças brancas nos Estados estão sendo atropeladas pelos acordos nacionais de cada partido." /

Faltam vagas e sobram cotoveladas na disputa pelo Senado

http://images.ig.com.br/ult_us/selo_eleicoes.jpg align=leftDas 81 cadeiras do Senado Federal, 54 serão postas em votação este ano. Mas faltam vagas. A origem do problema é que a briga para lançar chapas fortes e até mesmo as alianças brancas nos Estados estão sendo atropeladas pelos acordos nacionais de cada partido.

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Trata-se de uma verdadeira guerra surda, que está sendo travada em todo o país entre os aspirantes ao mandato de senador, na tentativa de entrar na disputa eleitoral com apoios políticos que rendam um mínimo de chances de vitória em outubro. Resultado: criou-se um quadro de incertezas que deverá se estender até julho, quando se encerra o prazo das convenções dos partidos. Por lei, cada coligação poderá lançar apenas dois candidatos.

O jogo de muito blefe, ameaças e traições envolve todos os partidos, tanto os aliados da petista Dilma Roussef, como os de seu principal adversário, o tucano José Serra. Passa pelos partidos menores, como PDT e PTB, e chega até o PSB de Ciro Gomes e o PV, de Marina Silva.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, tem atuado com dois objetivos nessa encrenca: garantir a volta dos senadores que atuaram como seus aliados mais fiéis e formar uma bancada consistente para um futuro governo Dilma Rousseff (PT). Isso porque, durante seus dois mandatos, o Senado transformou-se numa trincheira oposicionista.

Quinta-coluna na Oposição

A mais recente estratégia de Lula foi usar um palanque oposicionista para colocar um candidato ao Senado de sua confiança. Trata-se de Gim Argello (PTB-DF), atual vice-líder do governo e relator-geral do Orçamento de 2011. Ele preparava-se para disputar o governo do Distrito Federal, cujos pré-candidatos apresentados são Joaquim Roriz (PSC) e Agnelo Queiróz (PT). Mudou de ideia a pedido de Lula.

O presidente convenceu Gim a sair candidato ao Senado na chapa de Roriz. Ou seja, Gim será um intruso governista na chapa daquele que há poucos dias foi a São Paulo pedir a benção do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para dar palanque a José Serra na capital da República.  O Roriz pode pedir votos para o Serra, mas eu já o informei que faço campanha para a Dilma, disse o petebista.

Também não haveria muito espaço para Gim na chapa do PT, que já tem o ex-governador Cristovam Buarque (PDT) em uma das vagas e a outra sob intensa disputa entre o petista Geraldo Magela - derrotado por Agnelo Queiroz nas prévias pela candidatura ao governo - e Rodrigo Rollemberg, que domina o PSB em Brasília.

Gim chegou ao Senado em 2007. Era primeiro suplente de Roriz, quando este renunciou ao mandato após denúncia de desvio de dinheiro do Banco de Brasília. De lá para cá, Gim ganhou a confiança dos demais líderes governistas, do presidente e, principalmente, de Dilma. Mesmo que não dispute a eleição, ele teria mais quatro anos no Senado (o mandato é de oito anos). Mas nesse atual mandato eu sou suplente, ergumenta o senador. Ele não gosta de falar do assunto, mas também há uma possibilidade de vir a perder o mandato atual. Isto porque a chapa que formou com Roriz em 2006 é processada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por uso da máquina pública na campanha. 

Ajuda a Renan

Lula também se esforça para formar uma coligação que garanta o retorno ao Senado de Renan Calheiros (PMDB-AL), cujo mandato se encerra em 2010. Até o começo deste ano, três candidaturas se posicionavam para as duas vagas de Alagoas: além de Renan, Heloísa Helena (PSOL) e Ronaldo Lessa (PDT). Com pesquisas eleitorais que mostravam o favoritismo dos seus adversários nas mãos, Renan pediu para que Lula convencesse Lessa a disputar o governo.

Presidente nacional do PDT e ministro do Trabalho, Carlos Lupi também participou das negociações. No começo do ano, ele, Renan e Lessa foram chamados por Lula para uma conversa. O presidente garantiu o apoio do PT à candidatura de Lessa ao governo de Alagoas. Ressaltou ainda que o PT não lançaria candidato ao Senado. Lula afirmou também que trabalharia para isolar o atual governador e candidato à reeleição, Teotônio Vilela (PSDB). Por ora, só o PP resiste em apoiar Renan e Lessa.

Falta de acordo

No Paraná, o PT encontra sérias dificuldades para fechar uma aliança e poderá ficar sem candidato próprio ao governo. O partido acabou dando  prioridade a eleger Gleisi Hoffmann (PT) para uma das cadeiras do Senado. Mulher do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, Gleisi  está com a campanha estruturada do ponto de vista partidário e financeiro por ter sido candidata em 2006 ao mesmo cargo.

Em princípio, os petistas haviam iniciado conversas para formar um palanque com o senador Osmar Dias (PDT), pré-candidato ao governo. Dias pediu que Gleisi compusesse a chapa como vice, mas o PT não aceitou e colocou na mesa o nome de Jorge Samek, atual presidente da Itaipu binacional. Irmão do senador Alvaro Dias (PSDB), Osmar já foi tucano e tem bom trânsito na oposição. Ao mesmo tempo, não confia no PT. Teme que o partido se esforce apenas para eleger Gleisi.

O Osmar sabe muito bem disso. Há algum tempo o PT tem deixado claro que a prioridade é fazer uma bancada de senadores mais forte, comentou Alvaro com a reportagem do iG .

Ainda no Paraná, outro pré-candidato ao Senado é Ricardo Barros (PP), que foi líder do governo Fernando Henrique Cardoso mas que nos últimos anos apoiou o governo Lula. Como no PT, a prioridade do PP (Partido Progressista) é eleger Barros senador. Ele tem negociado compor chapa com o PT e com o PSDB.

Serra no jogo

Diante da insistência do PT em manter Gleisi como candidata Senado, Osmar ameaça não apoiar Dilma no Paraná. Nesse caso, o PT teria de encontrar outro candidato para dar palanque a ela no Estado. José Serra (PSDB) vai tentar se aproveitar da situação. Na semana que vem, ele deverá ter uma conversa com Osmar Dias. Duas opções estarão em discussão: dar uma vaga na chapa tucana para Osmar tentar a reeleição ao Senado ou convencer o PSDB apoiá-lo para o governo do Estado.

Nessa última hipótese, sairia prejudicado Beto Richa (PSDB), que renunciou seu mandato na Prefeitura de Curitiba para disputar o governo pela primeira vez. No começo do ano, Richa travou uma guerra particular com o senador Alvaro Dias pela vaga de candidato ao governo. Alvaro ainda demonstra mágoa quando fala do assunto: Eu poderia ter ajudado muito o Serra se fosse candidato. Meu nome é capaz de unir o PMDB, PDT e PSDB num palanque só. Segundo o iG apurou, Serra não tomou partido para não causar danos maiores. Se fizesse uma intervenção no diretório tucano, o caso poderia parar na justiça eleitoral.

Racha e prévias

Em São Paulo, Serra tenta evitar prévias para as vagas na chapa do candidato ao governo, Geraldo Alckmin (PSDB). Uma delas já está negociada com Orestes Quércia (PMDB), ex-governador e presidente do partido no Estado. O acordo é de 2008, quando Serra costurou o apoio de Quércia à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). A segunda vaga é disputada por três tucanos: os deputados Mendes Thame, José Aníbal e Aloysio Nunes Ferreira. O último é o favorito. Ex-secretário de Serra e um dos seus homens de confiança, ele tentou sair candidato ao governo, mas acabou convencido a ceder a vaga para Alckmin que está mais bem colocado nas pesquisas.

No arco de alianças de Serra e Alckmin, há outro problema: o senador Romeu Tuma (PTB), cujo segundo mandato se encerra. Eleito pelo DEM, ele migrou para o PTB porque ficou sem espaço para concorrer à reeleição. O presidente estadual petebista, Campos Machado, prometeu-lhe uma vaga com apoio de Alckmin. Na quinta-feira, Machado jogou a toalha e decidiu lançar Tuma como candidato solteiro. Havia a possibilidade de o senador disputar a Câmara, mas por ora ele se manteve firme como candidato ao Senado porque aparece bem nas pesquisas.

PT tenta evitar prévias

O partido de Lula também tem disputas internas pelas vagas ao Senado. No começo desta semana, a direção encomendou pesquisas em dois Estados a fim de evitar prévias. A avaliação é que o instrumento só serve para fazer com o partido entre dividido numa eleição. Por isso, a cúpula do PT encomendou levantamentos para definir os candidatos ao Senado em Pernambuco e no Mato Grosso. No Estado nordestino, o ex-ministro Humberto Costa (Saúde) e o ex-prefeito do Recife João Paulo querem disputar o Senado. No Mato Grosso, a briga pela vaga é entre a atual senadora Serys Slhessarenko e o deputado Carlos Abicalil.

Em Minas Gerais, a direção nacional do PT não conseguiu evitar a prévia entre o ex-ministro Patrus Ananias e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. Os dois dizem querer disputar o Senado, mas nos bastidores atuam para concorrer ao governo de Minas. Esse é o maior problema. Lula prometeu ao ex-ministro e senador Helio Costa (PMDB-M) que o PT lhe apoiaria para a disputa ao governo do Estado. O senador está irritado com o impasse petista e ameaça romper com o partido.

No Rio de Janeiro, o PT também viveu um trauma ao decidir sobre vagas ao Senado. Ex-prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias enfrentou e derrotou em prévias Benedita da Silva, ex-ministra e ex-senadora. Do lado oposicionista, os candidatos também estão indefinidos. O PV, DEM, PSDB e PPS tentam formar um único palanque com Fernando Gabeira (PV) como candidato ao governo. No momento, o problema é que os verdes não querem apoiar o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) para o Senado. O PV tenta lançar Alfredo Sirkis.

Operação Mão Pesada

No Piauí, a operação do governo é atrapalhar as reeleições dos oposicionistas Mão Santa (PSC) e Heráclito Fortes (DEM) e garantir uma cadeira para o ex-governador Wellington Dias (PT). Apesar de comandar o governo do Estado desde 2003, o PT local abriu mão de lançar um candidato próprio à sucessão de Dias. O ex-governador atuou para fechar uma aliança com João Vicente Claudino, atual senador pelo PTB. Dias chegou a anunciar publicamente a formação da chapa.

No entanto, tinha um problema: Wilson Martins (PSB), vice de Dias que assumiu o governo e manteve a intenção de disputar a reeleição. Pressionado, o ex-governador acabou voltando atrás no acordo com João Vicente e anunciou seu apoio a Martins. Na semana passada, o governo federal resolveu entrar em ação. O ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) tentou convencer João Vicente a desistir. O senador recusou, manteve a candidatura e agora ameaça apoiar a oposição.

Na quinta-feira, Heráclito Fortes subiu na tribuna do Senado para denunciar um suposto uso de postos no governo para formação de palanques: Veja como estão as coisas no governo federal e, de uma maneira especial, como andam as coisas no Piauí. Os jornais de hoje: PT oferece ministério a João Vicente Claudino em troca de apoio a Wilson Martins. O Partido dos Trabalhadores, em nível nacional, por intermédio do Sr. Alexandre Padilha. O senador João Vicente não confirma o convite para o Ministério, mas disse que Padilha fez apelos para que ele desistisse e apoiasse Wilson Martins.

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