Falta verba para estudo de doenças que afetam mais países pobres

Frequentemente esquecidas pela indústria farmacêutica e pelas grandes universidades por afetarem principalmente países mais pobres, as pesquisas para o desenvolvimento de produtos contra doenças negligenciadas receberam investimentos de US$ 2,5 bilhões em 2007. Esse montante é pequeno comparado a outros tipos de estudo.

Agência Estado |

O investimento público americano em pesquisas na área de saúde, por exemplo, alcança um valor dez vezes maior: US$ 25 bilhões.

Pela primeira vez um trabalho revela o valor aplicado em pesquisas sobre doenças negligenciadas no mundo. Foi realizado pelo Instituto George para a Saúde Internacional, na Austrália, a pedido da Fundação Bill e Melinda Gates. A revista científica Public Library of Science Medicine publicou comentário sobre o relatório.

Mais de 81% do investimento partiu de 12 entidades públicas e filantrópicas. O Instituto Nacional de Saúde dos EUA colaborou com 41,75% dos recursos e a Fundação Bill e Melinda Gates, com 17,72%. “Em tempos de crise, é preocupante essa concentração: apenas duas organizações são responsáveis por 60% dos financiamentos”, afirma Mary Moran, principal autora do estudo.

Os Estados Unidos lideram o ranking dos países que mais investem: respondem por 70,39% do financiamento. O Brasil aparece em sexto lugar (1,24%) e é um dos poucos países em desenvolvimento, ao lado apenas da Rússia (0,94%), que aparece na lista dos dez primeiros. Os recursos também sofrem uma distribuição heterogênea: apenas três doenças consomem mais de 75% do dinheiro. A aids aparece em primeiro lugar (42,30% dos financiamentos), seguida por malária (18,30%) e tuberculose (16,03%).

Brasil

Alexandre Menezes, representante no Brasil da Iniciativa Internacional para uma Vacina contra a Aids (IAVI, na sigla em inglês), explica que muitas pesquisas são feitas nos países ricos, mas faltam investimentos para desenvolver vacinas. “É uma área que dificilmente dará lucro a curto prazo”, afirma Menezes. “Mas é preciso investir.” O levantamento exclui verbas para pesquisas sobre aids que poderiam gerar lucro nos países desenvolvidos.

O economista Michel Lotrowska, coordenador do escritório latino-americano da Drugs for Neglected Diseases Initiative (DNDi), sublinha a baixa quantidade de recursos destinado à doença de Chagas. “Junto com a doença do sono e com a leishmaniose, ela consome apenas 4,9% dos investimentos”, afirma. “E destes recursos, apenas 8,1% é com pesquisas relacionadas apenas a Chagas.” As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

AE

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