Mais de trezentos transplantados de fígado, coração e rim estão correndo risco de morte no Pará. Depois de passar trinta dias sem a substância ativa Tacrolimus, que evita a rejeição do órgão transplantado, eles voltaram a receber, no último dia 12, o similar Lifaltacrolimus, fabricado em Alagoas.

A eficácia desse remédio é posta em dúvida por médicos e pacientes, embora ele seja 40% mais barato que o multinacional Prograf, rejeitado desde abril do ano passado pela Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sespa), responsável pelo fornecimento aos pacientes. O Lifaltacrolimus, segundo relato dos pacientes, provoca náuseas, tontura e insônia.

O Ministério Público prepara uma ação civil pública contra o Estado e, hoje, recebeu uma comissão de transplantados preocupados com os rumos que o caso está tomando. Pacientes viajaram para São Paulo por conta própria para saber se seus órgãos estão comprometidos devido ao tempo prolongado que ficaram sem tomar o remédio. A ausência do Tracolimus no organismo pode fazer, por exemplo, com que alguém que recebeu um rim novo corra o risco de ter de voltar a fazer sessões de hemodiálise ou até mesmo passar por novo transplante.

"É um descaso total com vidas humanas", afirmou o presidente da Associação Paraense dos Amigos do Fígado (Apaf), Benedito Ferreira Almeida. "A atitude da Sespa em manter a distribuição de um medicamento de eficácia duvidosa representa um risco para a vida dos pacientes", emendou a advogada Silvia de Paula Cruz, transplantada de fígado.

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