Com um governo esfacelado pelas denúncias de corrupção e desvio de dinheiro público, a população do Distrito Federal começa a sentir a falta que uma administração eficiente faz. Sob constantes apagões energéticos, que causam prejuízos não apenas econômicos como também sociais, a capital federal ficou mais uma vez sem luz no começo da tarde desta terça-feira.

Desta vez, nove bairros centrais de Brasília ficaram sem energia por quase meia hora. Oficialmente, os problemas de transmissão atingiram a subestação Brasília Norte e, por conta da sobrecarga, derrubaram também a linha da subestação Brasília Sul. São exatamente os mesmos pontos que têm manifestado ocorrências anteriores de apagões.

Desde o início do ano, a capital registrou três grandes apagões ¿ todos em menos de uma semana ¿ e inúmeros outros blecautes localizados. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é um índice acima da média brasileira das grandes capitais. Acima da média está também o crescimento do consumo no DF. No ano passado, enquanto o restante do Brasil teve um consumo negativo (menos 1,1%), Brasília registrou um aumento de 10,6% na demanda.

Falta de investimento

Após o blecaute da semana passada, o diretor de Comercialização da Companhia Energética de Brasília (CEB), Carlos Leal, convocou uma entrevista para explicar os motivos da falta de energia e admitiu que faltou investimento na distribuição de energia ao longo da última década.

Nos últimos dez anos os investimentos foram aquém da necessidade do crescimento da demanda, disse Leal. Se já tivéssemos inaugurado a nova usina de Corumbá III, o efeito desses apagões poderia ser bem menor.

A Usina Hidrelétrica de Corumbá III, em Luziânia (GO), está prevista para ser inaugurada em novembro. A CEB comprou toda a energia a ser produzida, cerca de 127 megawatts/hora, por um período de 30 anos. Isso deve assegurar o fornecimento para o centro de Brasília, principalmente na Esplanada dos Ministérios e Praça dos Três Poderes.

A CEB tem sofrido punições da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por exceder a meta fixada tanto em número de apagões quanto em duração do período de interrupção do serviço. Em 2007 e 2008, foi multada em R$ 3,5 milhões. Em abril do ano passado, em R$ 4 milhões.

Procurada pelo iG, a CEB não informou o valor do investimento realizado em transmissão nos últimos anos.

Prejuízos

Os transtornos são democráticos. Além da população, atingem tanto órgãos do governo federal quanto da administração distrital. O Congresso Nacional sofreu com todos os apagões registrados, assim como o Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória da presidência da República.

O trabalho em uma loja de granito no Setor de Indústrias e Abastecimento de Brasília está atrasado há mais de uma semana. Nos dias 11 e 12 de março, faltou luz na região onde a loja funciona e foram dois dias de serviço perdidos. Os 40 funcionários não podiam trabalhar na oficina e no escritório. Sem computador e sem telefone, alguns contratos deixaram de ser fechados. Nesta terça, mais uma vez, a falta de energia gerou prejuízos para a empresa. Não apenas para a gente, mas para todo o pessoal que trabalha nessa região, conta o funcionário Elias Souza.

O empresário David Lechtig, proprietário de um restaurante na Galeria dos Estados, na região central da cidade, conta que a interrupção do fornecimento de energia trouxe muitas perdas. As balanças ficaram desligadas e, além disso, muitos clientes não puderam pagar a conta porque as máquinas dos cartões não funcionavam sem energia. E isso tudo bem no horário de almoço, lamenta David. Quem vai pagar esse prejuízo?.

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