Falta de experiência dos pilotos do Legacy foi fator determinante no acidente

BRASÍLIA - O relatório divulgado nesta quarta-feira pela Aeronáutica aponta a falta de prática com o tipo do modelo de aeronave, a baixa consciência situacional do que estava sendo praticado, a pressa para decolar e o desconhecimento do plano de vôo, como os principais fatores que levaram os pilotos norte-americanos a desligar acidentalmente o transponder (aparelho que alerta sobre o risco de colisão) do jato Legacy, o que culminou no choque como Boeing da Gol, causando a morte de 154 pessoas, em 2006.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |

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A hipótese sustentada pelo Cenipa na explicação do porquê de o aparelho que alertaria sobre o risco de colisão ter ficado desligado por cerca de 58 minutos, foi de que o piloto da esquerda, manuseando o painel que aponta o nível de combustível da aeronave, tenha, sem perceber, desligado o transponder, uma vez que ambos os comandos são ativados no mesmo painel.

Essa suposição foi levantada quando, ao ouvir as gravações da cabine do Legacy, percebeu-se que os dois tripulantes conversaram diversas vezes sobre combustível.

Segundo o parecer elaborado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), os pilotos do jato Legacy, apesar de muito experientes, não tinham prática de voo com este modelo de avião. Inclusive, um dos pilotos possuía apenas cinco horas de experiência no comando deste tipo de aeronave.

Outro contribuinte do desastre foi o fato de que ambos os pilotos não tinham consciência situacional, uma vez que estavam, durante o trajeto, fazendo cálculos de peso e balanceamento da aeronave.

Culpa do acidente

Em relação à influência do Boeing no acidente, o Cenipa não identificou falhas por parte da tripulação, nem falhas latentes no sistema organizacional da Gol.

Apesar de diversos fatores apontarem a culpa dos pilotos do jato Legacy no momento do acidente, o chefe do Cenipa, brigadeiro Jorge Kersul Filho, disse que o relatório da Aeronáutica não aponta culpados pelo desastre, e sim fatores que contribuíram para a ocorrência do incidente.

Amigos e familiares das vítimas garantem, entretanto, que irão recorrer da decisão do juiz federal da cidade de Sinop (MT) Murilo Mendes, que abolsveu os pilotos do jato Legacy da acusação de negligência. Segundo eles, o parecer do Cepina reforça a culpa dos norte-americanos. 

O Boeing da Gol fazia o trajeto que ia do aeroporto de Manaus (AM) até Rio de Janeiro, com previsão de escala em Brasília (DF), quando, ainda sobrevoando o norte do País, colidiu com o jato Legacy, da empresa de taxi aéreo americana ExcelAire. Os 154 ocupantes do Boeing morreram, mas nenhum ocupante do jato se feriu.

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