Falta bafômetro para fiscalização na periferia de SP

Um movimentado bar de música árabe na zona leste de São Paulo acabou de abrir cinco vagas para barman e garçom. Os donos querem repor os funcionários que tiveram de demitir quando a lei seca entrou em vigor, em junho deste ano.

Agência Estado |

Os clientes já perceberam que na periferia, sem bafômetro, a fiscalização é falha e, depois de quase quatro meses, voltaram a consumir como antes. "Assim que a lei começou, tivemos um impacto negativo de 40% na venda de bebidas", disse a proprietária do bar, Rejane Mercatelli. "Mas agora todo mundo sabe que não tem bafômetro e a blitz acabou. Recuperamos o prejuízo."

A capital conta com 51 etilômetros (bafômetros) e todos ficam no Brás, no 34º Batalhão da Polícia Militar, responsável pela fiscalização de trânsito. Os aparelhos são usados prioritariamente nas blitze da Operação Direção Segura, realizadas de quinta-feira a domingo nas regiões com maior concentração de bares. Quando PMs de bairros distantes identificam motoristas embriagados têm de solicitar o equipamento, mas nem sempre conseguem.

Sob a condição de não serem identificados, PMs de bairros extremos da zonas leste e sul confirmaram o que clientes do bar notaram. Em Itaquera, segundo um policial, o patrulhamento de trânsito é feito sem bafômetro. "Passam mais de 50 motoristas bêbados toda a semana e não podemos fazer nada", diz. "Só a nossa percepção não tem valor jurídico e acabamos liberando." Ele afirma que, mesmo solicitando o aparelho com antecedência, eles não chegam. Na zona sul, as blitze deixaram de ser realizadas em setembro, segundo policiais. "Faz um bom tempo que não sabemos o que é um bafômetro", afirma o PM, que atua em Capela do Socorro.

Porém, o major da PM Ricardo Fernandes de Barros, responsável pelo Batalhão de Trânsito, não admite que bairros distantes estejam desfalcados. Ele garante que, quando as companhias precisam de bafômetro, são atendidas. "Mas a demanda não é grande." Um levantamento da PM mostra que, desde o início das operações, 1.500 pessoas foram submetidas ao bafômetro na zona leste e 1.133 na oeste.

Desde o início da lei seca, 8.300 motoristas foram submetidos ao teste do bafômetro, dos quais 589 estavam embriagados. Desse total, 192 apresentaram no teste mais de 0,3 miligrama de álcool por litro de ar expelido, o que resulta na apreensão da habilitação. No fim de outubro, a PM vai adquirir mais 102 bafômetros. Outros 368 etilômetros serão entregues até novembro aos batalhões do interior e da Grande São Paulo. As informações são do Jornal da Tarde.

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