Falha em transmissão pode ter causado apagão no Nordeste, diz ONS

Suspeita havia sido apontada pelo presidente da Chesf. Blecaute afeitou ao menos sete Estados da região

iG São Paulo |

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no País, ainda apurava, por volta das 7h30 desta sexta-feira, as causas do apagão que afeitou ao menos sete Estados da região Nordeste do País, que ocorreu durante a madrugada.

De acordo com informações preliminares da ONS, os problemas de energia tiveram início por volta das 0h20 e a principal suspeita é de uma queda no sistema de transmissão de energia na região. Segundo apuração da reportagem do iG , os problemas com energia foram registrados no Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, e a ONS ainda não consegue precisar a extensão exata do blecaute. Ainda de acordo com o órgão, a energia estava restabelecida em todo o Nordeste, por volta das 6 horas.

A suspeita da ONS confirma a afirmação do presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Dilton da Conti, que aponta um problema na linha de transmissão entre as cidades de Sobradinho (BA) e Petrolândia (PE). Devido à falha, as usinas de Xingó, entre os Estados de Alagoas e Sergipe, Paulo Afonso (BA) e Luiz Gonzaga (PE) como responsável pelo blecaute.

Cerca de duas horas depois do apagão, a energia começou a voltar de forma instável em algumas cidades da região, como em Salvador (BA), por volta das 2h15 (horário de Brasília) e no Recife, às 3h40 (horário de Brasilia). Internautas têm relatado pelas redes sociais o retorno de luz também em João Pessoa e Fortaleza. No entanto, não há um prazo para o restabelecimento total da energia.

Futurapress
Bairros de Salvador e cidades do interior da Bahia ficaram no escuro durante apagão que afeitou quase todo o Nordeste

Incidentes e assaltos

Em Salvador, o serviço de emergência da Defesa Civil informou que recebeu inúmeras ligações sobre a queda de energia e muitas pessoas não conseguiam se comunicar com a Coelba (Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia) para esclarecimentos. “Está pior do que em dia de chuva”, afirmou um atendente da Defesa à reportagem do iG.

A Polícia Militar do Estado não registrou um aumento de ocorrências na capital em razão da queda de energia, mas houve relatos não confirmados sobre a presença de suspeitos nas ruas, informação semelhante à obtida com a Defesa Civil, que comunicou testemunhos de "trombadinhas" no bairro do Garcia, na capital baiana.

Na região metropolitana de Olinda (PE), um grupo ateou fogo na Avenida Presidente Kennedy, uma das mais movimentadas da cidade. De acordo com o major Ricardo Sentes, gerente adjunto do Centro de Operações da Secretaria de Defesa Social, foram registradas ocorrências isoladas de vandalismo e tentativas de assalto.

Também foi registrada uma "inquietação" nos presídios, o que demandou um reforço policial ns arredores destes centros prisionais. Segundo Sentes, o comportamento foi provocado sobretudo pelo calor dentro das celas, que necessitam de ventiladores para aplacar as altas tempraturas.

Redes sociais

Pelo Twitter, serviço de redes sociais da web, o termo "apagao" rapidamente tomou conta das mensagens e por volta da 1h (horário de Brasília) desta sexta-feira, já constava na lista mundial de termos mais citados.

Por meio de seu perfil, o deputado federal Antônio Carlos Magalhães Neto, do DEM-BA, cobrou um posicionamento do governo federal sobre o incidente. "Esperamos que a presidente Dilma Rousseff e o Ministério de Minas e Energia expliquem imediatamente à população o que está acontecendo. Os brasileiros não podem pagar o pato por problemas técnicos ou falta de capacidade daqueles que geram o nosso sistema energético."

* Com reportagem de Thiago Guimarães, iG Salvador

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