FAB visualiza mais destroços do AF447 em nova área do Atlântico

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) avistaram nesta sexta-feira mais destroços do avião da Air France que caiu no oceano Atlântico no dia 31 de maio, em uma nova área de buscas, e autoridades disseram que até o dia 20 ainda há chances de se encontrar corpos no mar. Devido ao movimento das correntes marítimas, os aviões de busca visual da FAB foram deslocados para oeste do ponto de concentração inicial das buscas, a 850 km a noroeste de Fernando de Noronha, e conseguiram avistar diversos destroços, informou a Aeronáutica.

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"Direcionamos as buscas para os locais mais prováveis e já tivemos informação de avistamento de destroços, e os navios estão sendo direcionados para esse local", disse a jornalistas no Recife o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Aeronáutica.

As equipes de busca da FAB e da Marinha, com ajuda de embarcações e aeronaves da França, já resgataram 44 corpos de vítimas do voo AF 447, que caiu quando fazia a rota Rio de Janeiro-Paris com 228 pessoas a bordo.

De acordo com o brigadeiro, "até o dia 20 ainda seria possível, teoricamente, encontrar (corpos)".

Os destroços visualizados nesta sexta-feira estão numa área de jurisdição do Brasil, e serão levados pelos navios ao Recife, onde já estão as primeiras partes da aeronave recolhidas do mar. Todos os destroços ficarão à disposição da França, que é responsável pela investigação do acidente.

No próxima dia 14, um técnico francês chegará ao Brasil para fazer uma perícia inicial das peças e avaliar se os destroços serão levados para a França ou se a perícia completa será realizada em território brasileiro.

Uma parte da cauda do avião encontrada no mar que é vista por especialistas como importante para a investigação também chegará ao Recife no dia 14, de acordo com a Marinha.

"Todos os destroços tem uma relevância muito grande, porque a análise deles permite aos investigadores identificar, ou pelo menos ter um auxilio para identificar, qual foi a causa do acidente", disse o brigadeiro.

Sobre a busca pelas caixas-pretas, que é realizada por um submarino nuclear francês, o brigadeiro disse não ter nenhuma novidade.

Seguindo uma orientação das autoridades brasileiras, a procura é realizada numa área de 65 a 70 km de raio a partir do local onde houve o último contato da aeronave antes do acidente, mesmo local onde se concentram as buscas por corpos e destroços. A profundidade na área é de cerca de 3.500 metros.

Em comunicado, a FAB e a Marinha informaram que as buscas vão continuar apesar de a meteorologia indicar "uma acentuada piora das condições de tempo e visibilidade na área de buscas, o que poderá comprometer os trabalhos".

O brigadeiro afirmou que o planejamento das forças está pronto para continuar com as operações até o dia 25, mas ressaltou que a partir do dia 17 haverá uma reunião a cada dois dias entre Marinha e FAB para avaliar os achados que estão acontecendo e decidir a continuidade das buscas.

No Recife também acontece a identificação dos primeiros 16 corpos resgatados. Segundo a Polícia Federal, não há previsão para o encerramento das identificações. Outros 25 corpos estão em Fernando de Noronha, onde passam por uma verificação preliminar, e mais três estão a bordo de um navio da Marinha.

(Por Pedro Fonseca; Edição de Tatiana Ramil)

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