FAB avista destroços no mar; investiga se são do AF 447

Por Pedro Fonseca e Fernando Exman RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA (Reuters) - Aviões da Força Aérea Brasileira visualizaram nesta terça-feira destroços de uma aeronave no oceano Atlântico a cerca de 650 quilômetros de Fernando Noronha durante operação de buscas da jato da Air France que desapareceu com 228 pessoas a bordo.

Reuters |

"Foram encontradas peças metálicas e não-metálicas, incluindo poltronas", disse à Reuters por telefone o chefe de relações de imprensa da Aeronáutica, o tenente-coronel Henry Wilson.

Segundo o militar, as buscas serão concentradas nesse ponto do oceano para confirmar se essas peças são do avião da Air France desaparecido desde domingo sobre o Atlântico.

Um navio mercante holandês que estava em rota comercial desviou seu trajeto a pedido da Marinha e chegou ao local onde a FAB avistou os destroços, informou a Marinha, acrescentando que por enquanto a embarcação não relatou ter encontrado nada. Outros dois navios mercantes estavam a caminho do mesmo local.

"Navios mercantes têm uma função específica de recolher sobreviventes, mas podem também nos passar informações se avistarem algum destroço", disse à Reuters o capitão-tenente Henrique Afonso, acrescentando que a profundidade do mar na área é de 2.000 a 3.000 metros.

A Aeronáutica disse que ainda não é possível afirmar se as peças seriam do Airbus A330 que decolou do Rio de Janeiro com destino a Paris e enviou mensagem automática reportando problemas elétricos quatro horas após a decolagem na noite de domingo.

"O Comando da Aeronáutica precisa de pelo menos uma peça que tenha o número de série, tenha uma identificação, que seja compatível, que ela tenha pertencido àquela aeronave", disse a jornalistas em Brasília o coronel Jorge Amaral, vice-chefe do centro de comunicação social da Aeronáutica.

"Se for confirmado, aí sim as buscas entram numa fase de resgate. Resgate das peças ou algo mais que seja encontrado", acrescentou.

De acordo com o coronel, a FAB não tem condições de realizar o resgate das peças, que ficará a cargo da Marinha. O primeiro dos 5 navios da Marinha enviados ao local tem chegada prevista para as 11h de quarta-feira.

"Esse tipo de resgate não poderá ser feito por avião e não poderá ser feito por helicóptero, porque é muito longe. A Marinha deve ter seus dados e informações mais precisos quanto ao resgate de material. A Aeronáutica não tem como resgatar esse material no mar", afirmou.

Perguntado se os aviões brasileiros avistaram sinais de sobreviventes, o coronel Amaral respondeu: "Até agora, não."

A FAB informou em comunicado que uma aeronave R-99, que decolou de Fernando de Noronha na noite de segunda-feira, "para realização de varreduras com a utilização do radar de abertura sintética" identificou por volta de 1h (de Brasília) alguns "retornos" que indicavam materiais metálicos e não-metálicos flutuando no oceano.

Em seguida, aeronaves Hércules C-130 decolaram para o local indicado e confirmaram, às 6h49, a existência de peças e manchas de óleo a aproximadamente 650 quilômetros a nordeste de Fernando de Noronha. Os objetos foram vistos em dois pontos distantes cerca de 60 quilômetros.

Entre os objetos estavam uma poltrona de avião, pequenos pedaços brancos, uma bóia laranja, um tambor, além de vestígios de óleo e querosene, informou a FAB em comunicado.

Um dos navios da Marinha está equipado com um helicóptero, e a FAB tem 10 aviões à disposição para as buscas.

ESPERA DOS FAMILIARES

Quatro aeronaves Hércules C-130 decolaram esta manhã para prosseguir as buscas sobre o oceano após dois outros aviões militares terem retornado de madrugada à ilha de Fernando de Noronha, localizada a 350 quilômetros da costa brasileira.

Mais de 36 horas após o último contato com autoridades brasileiras, as chances de encontrar sobreviventes do AF 447 são mínimas, segundo autoridades.

Parentes das vítimas no Rio de Janeiro, reunidos em um hotel na Barra da Tijuca (zona oeste), esperavam por respostas sobre os destroços encontrados pela FAB. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, era aguardado no local.

"Meu sobrinho era comissário, tinha 24 anos e uma vida inteira pela frente. Eu trouxe uma foto dele aqui para que vocês possam divulgar", disse Jorge Luís, mostrando a fotografia do sobrinho. "Vocês têm a cara dele aí, divulguem, por favor, é uma homenagem que nós queremos fazer", disse.

O avião da Air France passou por forte turbulência quatro horas após decolar do Rio, e 15 minutos depois enviou uma mensagem automática reportando problemas elétricos e despressurização.

Especialistas em aviação afirmam não ter informações suficientes para entender como o voo AF 447 pode ter desaparecido sem deixar sinal de alerta ou pedido de ajuda.

O voo AF 447 tinha 216 passageiros a bordo de 32 nacionalidades, incluindo sete crianças e um bebê. Segundo a Air France, 61 eram franceses, 58 brasileiros e 26 alemães. Dos 12 tripulantes, um era brasileiro e os demais franceses.

Segundo o ministro francês Jean-Louis Borloo, está sendo travada uma "corrida contra o tempo" para encontrar as duas caixas-pretas da aeronave e descobrir as razões da tragédia.

No Brasil, no entanto, a FAB disse que "ainda é cedo para colocar pessoas procurando a caixa-preta".

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gair no Rio; Estelle Shirbon em Paris)

(Edição de Maria Pia Palermo)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG