FAB acha mais partes do AF 447;Marinha segue busca por destroços

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Força Aérea Brasileira encontrou nesta quinta-feira mais destroços do avião da Air France que caiu no Atlântico com 228 pessoas a bordo, mas ainda não há sinal de corpos, informou a FAB. A Marinha afirmou também nesta quinta que a fragata Constituição foi o terceiro navio militar a chegar ao local das buscas, a 1.100 quilômetros a nordeste de Natal, mas as embarcações ainda não visualizaram os destroços.

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Um avião R-99 equipado com radar identificou durante a madrugada mais objetos em três pontos distintos do mar. Três aviões Hércules da FAB, uma aeronave P-3 dos EUA e um Falcon 50 francês decolaram de Natal posteriormente para tentar visualizar os destroços, informou o Centro de Comunicação da Aeronáutica.

De acordo com a FAB, os novos destroços foram encontrados a sudoeste dos penedos de São Pedro e São Paulo.

"Provavelmente são da parte interna, foram encontrados pedaços marrons, brancos e amarelos, que não correspondem à parte externa, mas sim à parte interna", disse a jornalistas em Recife o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da FAB.

O brigadeiro acrescentou que as buscas foram reduzidas a uma área de aproximadamente 6.000 km quadrado, devido à concentração de informações colhidas pelo avião R-99 da FAB durante a madrugada desta quinta-feira.

As embarcações da Marinha que estão na área seguem em direção aos pontos onde os destroços foram avistados pelas aeronaves. Quando forem encontrados os destroços, eles serão resgatados pelos navios e posteriormente levados de helicóptero para Fernando de Noronha.

"Quando tivermos uma quantidade de destroços a bordo dos navios, vamos usar os helicópteros para transportar para Fernando de Noronha primeiramente, e depois de avião para Recife. Todo material ficará em Recife à disposição das autoridades francesas", afirmou o brigadeiro. A investigação das causas do acidente está a cargo do governo francês.

A prioridade das buscas é por corpos, mas ainda não há "nenhum sinal", de acordo com a FAB.

"Se houver corpos, para-se tudo e traz para cá. A logística para fazer isso já está montada em Fernando de Noronha para receber os corpos e trazer para Recife", disse o brigadeiro, acrescentando que não há uma data prevista para terminar a operação.

CHEGA 3o NAVIO

Além dos destroços, as aeronaves da FAB que estão sobrevoando a região desde segunda-feira já avistaram extensas manchas de óleo no mar, o que segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, pode excluir a possibilidade de explosão do Airbus que decolou do Rio no domingo com destino a Paris e fez seu último contato quatro horas depois, após passar por forte turbulência.

Entre as partes encontradas no mar na quarta-feira estava uma peça com 7 metros de diâmetro que, segundo a FAB, seria da fuselagem do Airbus A330. Também já foram avistados um assento de avião, pequenos pedaços brancos e uma bóia laranja.

De acordo com a agência francesa responsável pela investigação das causas do acidente, o desastre pode permanecer um mistério, já que são remotas as chances de se encontrar as caixas-pretas no fundo do mar.

Os três navios brasileiros que estão na região -- a patrulha Grajaú, a corveta Caboclo e a fragata Constituição --, realizam as buscas num raio de 200 quilômetros.

"A única informação nova é a chegada da fragata Constituição, que está equipada com um helicóptero, o que aumenta a nossa capacidade de busca", disse à Reuters o capitão-tenente Henrique Afonso, do 3o Distrito Naval, no Recife.

Um navio francês equipado com um submarino não-tripulado que pode explorar a até 6.000 metros de profundidade também está a caminho do local.

O voo AF 447 tinha 216 passageiros de 32 nacionalidades, incluindo sete crianças e um bebê. Segundo a Air France, 61 eram franceses, 58 brasileiros e 26 alemães. Dos 12 tripulantes, um era brasileiro e os demais franceses.

(Por Pedro Fonseca, com reportagem de Fernando Exman em Brasília; Edição de Maria Pia Palermo)

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