Pesquisadores brasileiros descobriram que extratos da casca e da semente do bacupari, uma fruta amazônica, têm substâncias químicas que combatem os micróbios causadores de cáries. Uma substância abundante na casca, a 7-epiclusianona, mostrou-se tão potente quanto a clorexidina, o antibiótico mais forte usado pelos dentistas.

Com vantagens: ao contrário da clorexidina, a substância natural parece só matar as bactérias que causam doenças na boca, não escurece os dentes, não tem cheiro, nem gosto ruim.

A descoberta envolveu pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, e da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Na FOP, os dentistas Ramiro Murata e Luciana Salles Branco comprovaram a eficácia das sementes em seus estudos de doutorado e mestrado, respectivamente. Na Esalq, o professor Severino de Alencar realizou os testes de pureza das amostras das sementes.

Estudos anteriores já demonstravam a eficácia do bacupari em matar bactérias que causam doenças no intestino. “A fruta fica bem conservada um bom tempo depois de cair no chão. Isso pode indicar substâncias antibacterianas na casca”, explica o professor da Universidade Federal de Alfenas, Marcelo Santos, que estuda o bacupari há 16 anos e forneceu os extratos para a FOP. “Há relatos de pessoas que usam as folhas da planta para tratar tumores e pedras do rim. Outros bochecham o extrato do fruto para tratar a afta.” As informações foram divulgadas pela Agência USP de Notícias.

AE

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