Ex-presidentes do Senado denunciam como Agaciel Maia conseguia assinaturas

BRASÍLIA - Em entrevista ao Último Segundo, ex-membros da Mesa Diretora do Senado confirmaram nesta terça-feira que o ex-diretor Agaciel Maia os procurou, por diversas vezes, para assinar documentos sem lhes explicar o conteúdo dos mesmos. Os senadores suspeitam que Agaciel não tenha publicados os documentos no boletim administrativo e que eles estejam entre os ¿atos secretos¿.

Carol Pires, repórter em Brasília |

O senador Tião Viana (PT-AC), ex-vice-presidente do Senado, afirmou que Agaciel costumava procurar os membros da Mesa Diretora individualmente para assinarem documentos que depois seriam tidos como decisões conjuntas da comissão diretora.

Viana nega, porém, ter assinado qualquer documento sem ter acesso prévio a seu conteúdo. Sempre pedi que meu chefe de gabinete, ou algum assessor, lesse com atenção os documentos e por diversas vezes eu deixei de assinar quando não tive certeza absoluta da necessidade daquele assunto, disse o senador, que chegou a presidir o senador por alguns meses após a renúncia do ex-presidente Renan Calheiros (PMDB-AL).

O petista perdeu a eleição para a presidência do Senado contra o senador José Sarney (PMDB-AL), em fevereiro deste ano. Durante a campanha, Viana prometeu, caso fosse eleito, a imediata demissão de Agaciel. Ele tinham muito cuidado comigo, porque sabe que eu não confiava, alega. Nunca pedi que um ato meu fosse secreto.

Um ex-presidente do parlamento, que pediu para não ser identificado, confirmou ainda que Agaciel o procurava eventualmente pedindo assinatura em documentos urgentes. Na pressa, eu assinei alguns documentos. Não sei se eram desses que foram guardados como secretos, mas pode ter ocorrido, disse.

O ex-presidente garante, porém, que apenas assinou os documentos porque confiava no ex-diretor. É um cargo de confiança, ninguém imaginava que ele fazia este tipo de coisa, editar atos secretos, e todas essas denúncias que agora estamos sabendo, alega.

Nesta terça-feira, o primeiro-secretário do Senado, senador Heráclito Fortes (DEM-PI) deve apresentar o resultado da comissão de sindicância que investiga a edição de atos secretos no Senado. Ao todo, cerca de 600 atos foram editados secretamente, ao longo dos últimos 14 anos, em geral para nomear parentes de senadores e aumentar rendimento dos servidores.

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