Por Miral Fahmy CINGAPURA (Reuters Life!) - Com seus túmulos em formato de pirâmides e rituais funerários ricos em detalhes, pode parecer que os antigos egípcios eram obcecados pela morte, mas uma exposição tenta mostrar que foi o amor à vida que os levou a buscar a imortalidade.

"A Busca pela Imortalidade: O Mundo do Egito Antigo" abriu terça-feira em Cingapura, com cerca de 230 antiguidades selecionadas da coleção sobre o Egito do Kunsthistorisches Museum (KHM) de Viena.

A curadora do KHM, Michaela Huettner, disse que a exposição era uma das maiores da Antiguidade Egípcia, com as peças -- algumas datando de 4.000 a.C. - fornecendo um panorama sobre a cultura antiga.

"Todo mundo acha que o Egito antigo era só múmias, pirâmides e Tutancâmon, mas havia o dia a dia também, e é isso o que tentamos mostrar", disse ela a jornalistas.

"E foi essa obsessão com a vida que os levou a buscar todos os meios para garantir a obtenção da imortalidade", acrescentou Hairani Hassan, curadora do Museu Nacional de Cingapura.

Os antigos egípcios acreditavam que a morte era apenas uma passagem para outra vida e o desejo de garantir a imortalidade foi transportado para seus rituais diários.

Era muito importante agradar aos deuses e obter proteção contra as forças malignas, e muitos dos objetos em exposição - colares de materiais diversos, que todos os egípcios usavam como amuletos, estátuas ricamente detalhadas de deuses, como Sekhmet e Horus - atestam isso.

Depois da morte, os egípcios certificavam-se de que o falecido tivesse o melhor acompanhamento possível, incluindo lápides, livros dos mortos que exaltavam as virtudes dos que se foram e vasilhas de alimentos, cerveja e vinho para sustentá-los durante a viagem.

Também em exposição está a múmia de uma jovem mãe chamada Nes-Khons, cujo corpo foi preservado junto com os de seus dois bebês, que se acredita tenham morrido no parto ou pouco após o nascimento.

Hassan disse que os funcionários do museu de Cingapura que trabalham na exposição fizeram uma sessão de orações antes de desembalar as múmias.

"Fizemos isso apenas para acalmar os espíritos", disse ela. "É da natureza humana ficar um pouco abalado na presença da morte."

A exposição é financiada pelo governo do Egito. O KHM estava orgulhoso em salientar que a coleção foi formada por artefatos comprados e encontrados em escavações arqueológicas austríacas no Egito - não adquiridos em meio ao tráfico ilegal de objetos culturais que por vezes terminam nos museus.

"O atrativo da exposição está no fato de que todos, de alguma forma, buscamos imortalidade, todos tememos a morte, o fim da vida", disse Hassan.

"Para os egípcios antigos, a morte não era o final, algo que encontra eco ao longo da história humana."

A exposição vai até o dia 4 de abril de 2010. Mais detalhes no site www.nationalmuseum.sg.

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