Exposição no Rio eterniza os 100 anos de Tancredo

Destacado pela capacidade de diálogo e de mediação política, Tancredo Neves (1910-1985) talvez tenha incorrido em seu principal engano ao ser otimista demais na carta que escreveu a Juscelino Kubitschek (1902-1976) em 27 de julho de 1964. ¿Sinto que se aproxima do fim o eclipse que nos envergonha diante das nações civilizadas e que já está à vista o dia em que iremos restaurar o clima de dignidade democrática¿, escreveu a JK quatro meses após o golpe militar que depôs João Goulart (1919-1976) da presidência.

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Aécio Neves e Serra durante a exposição no Rio de Janeiro

Somente 21 anos depois, Tancredo veria este eclipse terminar, sendo eleito o primeiro presidente civil para a transição à democracia após a ditadura, que duraria até 1985, no momento mais marcante de sua vida e que, agora, está retratado na exposição Centenário Tancredo Neves, no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.

Em documentos históricos fotos, vídeos, gravações de áudios e objetos pessoais, a exposição, que vai até 6 de junho, eterniza os 100 anos de Tancredo. Entre as curiosidades, há até um anúncio em que o futuro político anuncia seus serviços de advogados em um jornal de sua cidade natal, São João Del Rei, em Minas Gerais.

Dividida em sete seções, a mostra, concebida por Marcello Dantas e coordenada pela jornalista Andréa Neves da Cunha ¿ neta de Tancredo ¿, foi aberta na segunda-feira e conta desde os tempos de estudante, passando pelas oposições às ditaduras do Estado Novo (1937-1945) ¿ quando foi preso duas vezes ¿ e do regime militar (1964-1985) aos 39 dias em que manteve o Brasil inteiro em alerta, ao ser internado um dia antes de tomar posse. Ele viria a morrer de infecção generalizada em 21 de abril de 1985. 

A Origem, O Caminho, A Habilidade Política, A Construção da Democracia, A Dor, Lavra de Idéias e Post Scriptum são as seções que resumem, em sete saletas no segundo andar do museu, as diferentes facetas e fases da vida do principal personagem de uma redemocratização que não chegou a ver.

Isac Luz
Anastasia, Aécio e Serra

Governador de MG, Anastasia, Aécio e Serra

Tancredo teve generosidade e coragem para construir consenso e, a partir dele, ajudar a transformar o país, afirmou Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais e neto do ex-presidente, ao visitar a abertura da exposição, na qual também foram lançados o site http://www.tancredo-neves.org.br e dois livros organizados pelo jornalista Mauro Santayanna, que trabalhou por nove anos com o político, de 1976 até sua morte. Tancredo: O Verbo Republicano traz 12 discursos do líder, com contextualizações históricas de Santayana, que ainda escreve introduções para trechos de diversos outros discursos na outra publicação, Tancredo Neves, a Política Como Razão.

Eu só juntei e dei uma contextualização de acordo com o momento político de cada um dos discursos. Os livros são do Tancredo, afirmou, modesto, o jornalista, durante o lançamento, que, além de familiares e políticos, como Aécio e o pré-candidato do PSDB à presidência, José Serra, reuniu até antigos moradores de São João Del Rei. Pessoas que conviveram com Tancredo, como o almirante Max Justo Guedes, de 82 anos, diretor do Serviço de Documentação da Marinha. 

Assistia a todas as procissões de Sexta-Feira da Paixão no Solar dos Neves [casa da família de Tancredo], na antiga Rua Direita, lembrava o almirante, enquanto pedia as guias para ver, literalmente, todas as páginas do site, mantido pela Fundação Tancredo Neves, com fotos, textos e demais documentos históricos que devem eternizar a exposição ¿ e a memória do líder.

Serviço:

Centenário Tancredo Neves. Até 6 de junho.

Museu Histórico Nacional ¿ Praça Marechal Câmara, s/nº (próximo à Praça XV), Centro, Rio de Janeiro.

Ingresso: R$ 6

De 3ª a 6ª, 10h às 17h.

Sábados, domingos e feriados, 14h às 18h.

Mais informações pelo telefone: 21 2550¿9220

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