Exposição de retratos lança olhar tocante sobre cultura gay

Por Julie Mollins LONDRES (Reuters) - As paredes roxas destacam o ambiente comovente de uma exposição aberta na Galeria Nacional de Retratos britânica para coincidir com o 40o aniversário dos distúrbios de Stonewall, em Nova York.

Reuters |

A mostra "Ícones Gays", que ficará na galeria até 18 de outubro, traz 60 retratos fotográficos selecionados por dez pessoas homossexuais às quais se pediu que escolhessem ícones que vêem como tendo sido fontes de inspiração, indiferentemente a sua orientação sexual.

"A mostra nos lembra da luta enfrentada pelos gays", disse Bernard Horrocks, responsável pelos direitos autorais da galeria e autor da ideia que inspirou a exposição.

"Ainda existe preconceito aí fora. Se a mostra levar as pessoas a repensarem seus preconceitos, isso será uma coisa boa."

Entre os retratos selecionados pelo músico Elton John está uma foto em preto e branco de John Lennon, o ex-Beatle assassinado em Nova York em 1980.

Os dois músicos dividiram um single que fez sucesso nos EUA: o dueto "Whatever Gets You Thru the Night", de 1974.

"Apostei com John que a faixa seria número 1 nas paradas", diz o texto descritivo que acompanha a foto.

"Quando perdeu a aposta, ele concordou em apresentar-se comigo no palco do Madison Square Garden em Nova York. Por acaso, foi o último concerto que Lennon faria ao vivo em sua vida, e virou um momento definidor para mim."

Chris Smith, ex-ministro de governo britânico pelo Partido Trabalhista, disse que escolheu pessoas que achou que viveram vidas de distinção real, mas para as quais a vida foi difícil.

Entre os retratos que ele escolheu estão os de três pessoas que cometeram suicídio: a escritora Virginia Woolf, o matemático Alan Turing, que inventou o computador, e o alpinista e psiquiatra John Menlove Edwards.

"Turing se suicidou devido a sua sexualidade", disse Smith.

"Acho lamentável que alguém que contribuiu tanto para fazer do mundo moderno o que ele é tenha sido levado a se matar devido às atitudes de seu tempo."

Para Waheed Ali, co-fundador da produtora britânica Planet 24, a exposição foi uma oportunidade para representar a trajetória percorrida pela comunidade gay em termos de sua sexualidade.

Suas escolhas incluem o grupo disco Village People, o artista David Hockney e a princesa Diana.

"Isto destaca que somos uma comunidade de pessoas que se aproximaram não por nossa sexualidade, mas pelas reações a nossa sexualidade," disse Alli.

Uma das menores fotos expostas é uma imagem gasta em sépia de Sojourner Truth, que nasceu escrava nos Estados Unidos.

Famosa por seu discurso "Eu não sou uma mulher?", ela lutou pela abolição da escravatura, a temperança e os direitos das mulheres.

"Ela transformou completamente a visão das pessoas sobre negros e brancos, homens e mulheres," disse a escritora Jackie Kay.

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