Exposição de gravuras de Chagall no Masp tem entrada gratuita nesta segunda

SÃO PAULO - Tradicionalmente, segunda-feira é o dia em que o Masp fecha suas portas. Mas hoje, feriado por causa do aniversário da cidade de São Paulo, ele estará aberto, e com entrada gratuita. Além do belo acervo do museu, o mais importante da América Latina, há uma outra atração que vale a visita: a exposição O Mundo Mágico de Marc Chagall, que reúne 178 gravuras do pintor russo.

Augusto Gomes, iG São Paulo |


A mostra é uma versão reduzida da exposição que passou por Belo Horizonte e Rio de Janeiro no ano passado. Só que, enquanto nessas capitais também foram expostas diversas pinturas, em São Paulo o foco está somente nas gravuras. O grosso da mostra é composto por três séries: "As Fábulas de La Fontaine", produzida na segunda metade dos anos 1920; "A Bíblia", iniciada nos anos 1930; e "Dafne e Cloé", da década de 1950.

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Gravura da série "Dafne e Cloé"

Segundo Fábio Magalhães, curador da exposição, a gravura ocupa um lugar de destaque na produção de Chagall, um dos principais artistas plásticos do século 20. "Ele começou a gravar ainda nos anos 1920, logo depois de abandonar a Rússia", explica. Suas primeiras gravuras, ainda em metal, foram produzidas para uma autobiografia, que só seria lançada em 1931. "O Masp tem uma primeira edição desse livro, que está na exposição", conta.

A primeira das três séries que serve de base para a exposição do Masp, "As Fábulas de La Fontaine", foi produzida logo depois dessas primeiras gravuras. "Elas foram feitas quando Chagall já morava na França, sob encomenda do marchand Ambrose Vollard", diz Magalhães. "Nossa mostra terá 23 dessas obras. Algumas delas inclusive são repetidas, porque há algumas pintadas à mão e outras não".

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Gravura da série "A Bíblia"
A série seguinte, "A Bíblia", traz uma atmosfera única dentro da obra de Chagall. "O tom é bastante dramático, épico. Distoa da atmosfera mais simples do restante de sua obra", explica o curador. Segundo ele, essa mudança é uma adequação ao tema da série. "A Bíblia é uma coisa maior. Os personagens são gigantes, e Chagall os trata como tal", teoriza. A série levou quase dez anos para ser feita, com direito até a viagens à Palestina.

Essas duas séries de gravuras foram feitas em metal. Já a última, "Dafne e Cloé", foi feita em pedra. A técnica, denominada litogravura, tornou-se a preferida de Chagall até sua morte. "Nessa série, ele chegou a uma qualidade de cor excepcional. Eram necessárias entre 20 e 25 matrizes diferentes para chegar ao resultado desejado. Assim ele conseguia colocar na gravura tudo que havia colocado nos guaches preparatórios", diz.

A exposição fica em cartaz até o dia 28 de março e, de acordo com o curador, é uma oportunidade única para ver a obra de Chagall. "É muito raro ver obras dele no Brasil. Houve uma mostra importante na primeira Bienal, na década de 1950, e uma presença forte na exposição de artistas russos que houve na Oca, no início dos anos 2000. Mas só", conta.

Uma curiosidade: uma das gravuras expostas no Masp pertenceu ao escritor Mario de Andrade, e hoje faz parte do acervo do Instituto de Estudos Brasileiros da USP. "Andrade muito provavelmente foi o primeiro colecionador brasileiro de Chagall", afirma. A obra inclusive tem uma dedicatória ao brasileiro, provavelmente feita a pedido de um amigo em comum. "Até onde sabemos, os dois nunca se conheceram", diz.

O Masp fica na Avenida Paulista, 1578. Abre excepcionalmente nesta segunda-feira, com entrada gratuita. Às terças-feiras, também não é cobrada entrada. Nos demais dias, os ingressos custam R$ 15 (estudantes pagam R$ 7). Para menores de dez anos e maiores de 60, a entrada é gratuita. Mais informações pelo telefone (11) 3251 5644.

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