Exportação de café industrializado do Brasil salta 150%--Abic

Por Roberto Samora SÃO PAULO (Reuters) - As exportações de café torrado e moído do Brasil somaram o equivalente a cerca de 80 mil sacas (60 kg) no primeiro semestre de 2008, contra 32 mil sacas no mesmo período de 2007, alta de 150 por cento, informou a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic).

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O crescimento das vendas externas desse produto industrializado, num mercado em que o país tem uma pequena participação --diferentemente da sua condição de maior exportador global de café verde--, deve-se ao 'amadurecimento' das indústrias brasileiras, segundo a Abic.

Com as exportações de janeiro a junho de 2008, o setor obteve uma receita de 20,4 milhões de dólares, ante 6,69 milhões de dólares no mesmo período de 2007.

'Devemos atribuir o crescimento ao amadurecimento da empresa brasileira no sentido de ela perceber que o canal de distribuição do mercado externo é uma alternativa importante e complementar do mercado interno', afirmou diretor-executivo da Abic, Nathan Herszkowicz, em entrevista à Reuters.

No acumulado em 12 meses, terminados em junho, o setor exportou 155 mil sacas de torrado e moído e obteve divisas de 40 milhões de dólares.

Esse produto industrializado não inclui o café solúvel, cujas exportações somaram o equivalente a 3,39 milhões de sacas de julho de 2007 a junho de 2008, alta de 8 por cento ante os 12 meses anteriores, segundo o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

O executivo afirmou ainda que o aumento na exportação do torrado e moído --para um volume ainda ínfimo perto do consumo interno nacional de 17 milhões de sacas/ano ou das exportações totais do Brasil (29 milhões de sacas/ano)-- também ocorre por conta da promoção do café brasileiro, especialmente com o programa de apoio às exportações da Apex Brasil, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

'Comparando com 2002, quando não havia o programa da Apex, aumentou 10 vezes', destacou o diretor, lembrando que as vendas externas naquele ano foram de apenas 4 milhões de dólares.

Apesar do potencial do industrializado, Herszkowicz disse que as empresas brasileiras enfrentam dificuldades como tarifa de importação em países europeus, por exemplo, ou mesmo desafios mercadológicos, num setor em que as marcas são tradicionais, centenárias, e têm um mercado consolidado.

De qualquer modo, o executivo vê possibilidade de as empresas brasileiras avançarem em segmentos de cafés diferenciados, determinados 'nichos' que requerem menos investimentos das companhias.

Como resultado desse movimento no exterior, no primeiro semestre deste ano 69 empresas fizeram alguma exportação, contra 45 no mesmo período do ano passado. Os norte-americanos são os principais compradores do café torrado do Brasil, recebendo 65 por cento das exportações.

MERCADO INTERNO

Segundo o executivo da Abic, apesar de uma retração no começo do ano, o consumo de café no Brasil se recuperou a partir de março e deverá fechar 2008 dentro da expectativa do setor de crescer 5 por cento, atingindo 18 milhões de sacas.

'Continua crescendo dentro da expectativa de chegarmos em 21 milhões de sacas em 2010', acrescentou.

Segundo ele, o crescimento generalizado do consumo de alimentos no país também beneficia o café, porém em menor medida, pois trata-se de um produto já amplamente consumido no Brasil.

'Os números apontam para crescimento de 4 a 5 por cento...

a expectativa é de que a melhora da renda também se reflita no crescimento do consumo de cafés de melhor qualidade, cafés superiores ou gourmet.'

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