O policial civil aposentado Marcelo Toledo, acusado de envolvimento no suposto esquema do mensalão do DEM no Distrito Federal, compareceu hoje à Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal para prestar depoimento, mas não fez qualquer declaração, de acordo com a assessoria de imprensa da PF. Na audiência com o delegado Alfredo Junqueira, Toledo usou a prerrogativa concedida ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de não fazer declarações.

Na segunda-feira, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, deferiu liminar em habeas corpus "para evitar possível constrangimento ilegal" de Toledo no depoimento de hoje. Com a decisão, além de poder permanecer calado diante de perguntas que pudessem incriminá-lo, o policial conseguiu o direito de não ser preso durante o depoimento.

Mendes justificou a possibilidade de constrangimento porque, embora tenha sido convocado na qualidade de testemunha, Toledo foi chamado a depor após ter sido acusado pelo autor das denúncias do esquema, o ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa. O ex-policial, segundo Barbosa, era dos arrecadadores de propinas junto a empresas prestadoras de serviço ao governo do Distrito Federal para alimentar o suposto esquema de corrupção conhecido como mensalão do DEM.

No pedido de habeas corpus, a defesa de Toledo alegou - com base em transcrições de depoimentos de Durval Barbosa - que, embora ele tenha sido intimado a prestar depoimento na condição de testemunha (ou declarante), como consta do mandado, informações extraídas do inquérito do Superior Tribunal de Justiça fazem concluir que se trata de um investigado. Segundo Durval Barbosa, Toledo recolhia dinheiro das empresas e era o portador das quantias destinadas ao vice-governador Paulo Octávio.

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